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Ótima notícia para os pacientes portadores da doença cardíaca estenose da válvula aórtica.

No dia 4 de fevereiro, a Agência Nacional de Saúde (ANS) incluiu no seu rol de procedimentos o tratamento desta doença através do implante por cateter de uma válvula nova, o chamado Implante Transcateter de Válvula Aórtica (TAVI). Este é um procedimento menos invasivo do que a cirurgia tradicional de peito aberto, pois é realizado sem cortes, muitas vezes apenas com anestesia local e com curto tempo de internação – de uma a dois dias.

Com a inclusão do TAVI no rol da ANS, os planos de saúde passam a ser obrigados a pagar por esse procedimento, o que não vinha acontecendo apesar do implante por cateter já ser consagrado e estar sendo realizado no Brasil há mais de 10 anos.

A única ressalva a ser feita é que a ANS aprovou esse procedimento apenas para pacientes com idade igual ou maior que 75 anos e que apresentem alto risco ou contraindicação à realização da cirurgia convencional.

Já existem evidências científicas sólidas de que esse procedimento apresenta resultados iguais ou até superiores à cirurgia mesmo em pacientes com idade inferior a 75 anos e com risco cirúrgico intermediário ou baixo. Assim, o implante por cateter tem sido aplicado de forma rotineira nesse grupo estendido de pacientes tanto nos Estados unidos quanto na Europa.

Essa decisão da ANS deve ser celebrada! Certamente representa o primeiro passo na direção de expandir esse procedimento por cateter para um grupo mais abrangente de pacientes portadores de estenose da válvula aórtica



O ano de 2020 foi extremamente desafiador para todos devido à pandemia pela Covid-19. Os grandes congressos médicos foram todos suspensos na sua forma presencial e transformados em eventos transmitidos exclusivamente pela internet, com os palestrantes e coordenadores fazendo as suas apresentações de casa. Apesar dessas limitações, vários estudos importantes na área da Cardiologia foram apresentados e, posteriormente, publicados gerando intensa repercussão na comunidade médica.

Um desses estudos foi o REDUCE. Nesse ensaio clínico randomizado, mais de 13 mil pacientes que faziam tratamento com medicações consagradas para colesterol elevado (as chamadas estatinas) foram aleatoriamente alocados (randomizados) para terapia com ácidos graxos ômega-3 (popularmente conhecidos como óleo de peixe) ou placebo.

O objetivo dessa pesquisa era determinar se os ômega-3 seriam capazes de reduzir as complicações cardiovasculares (como morte, infarto, acidente vascular cerebral entre outras) em pacientes com o seu colesterol já adequadamente tratado com estatinas.

Apesar de abordagens anteriores terem sugerido um benefício adicional do uso do óleo de peixe nesses pacientes, nesse grande estudo o uso desses agentes não foi capaz de reduzir a ocorrência das complicações cardiovasculares, o que colocou em dúvida a utilidade dessa classe de medicamentos para redução do risco de complicações em pacientes com colesterol elevado.

Outro estudo interessante foi o LoDoCo2, no qual mais de 5,5 mil pacientes com quadro de doença coronariana crônica (ou seja, presença de placas de gordura nas artérias coronárias que não causam infarto ou angina instável) foram randomizados para o uso da colchicina (uma medicação anti-inflamatória usada no tratamento das crises aguda de gota) ou placebo.

Os resultados dessa pesquisa mostram que o emprego da colchicina esteve associado a uma redução significativa da ocorrência de infarto, da necessidade de realização de procedimentos invasivos (como o implante de stent ou a cirurgia de ponte de safena) e, também, da mortalidade por causas cardiovasculares. Esses achados sugerem que a colchicina pode melhorar a evolução desses pacientes quando associada ao tratamento padrão.

Em relação ao melhor tratamento antitrombótico em pacientes submetidos ao implante de válvula aórtica por cateter, um importante ensaio clínico foi apresentado. O estudo POPular TAVI demonstrou que, em pacientes que já usam anticoagulantes (medicações que impedem a coagulação do sangue), não há necessidade de acrescentar um medicamente que bloqueie a ação das plaquetas (clopidogrel). Já em pacientes que não usam anticoagulantes, a indicação é usar apenas a aspirina isoladamente após o procedimento, pois a adição do clopidogrel, além de não oferecer um benefício adicional, ainda aumenta o risco da ocorrência de sangramentos.

Finalmente, um outro ensaio clínico apresentado em 2020 confirmou que dispomos de uma nova classe de medicamentos, normalmente usada para o tratamento de diabéticos, que pode melhorar a evolução de pacientes com insuficiência cardíaca (“coração dilatado”). O estudo EMPEROR-Reduced envolveu mais de 7 mil pacientes com insuficiência cardíaca e tratamento adequado com medicações com eficácia comprovada e que foram randomizados para o uso da medicação empaglifozina ou placebo.

O uso da empaglifozina reduziu de forma substancial a ocorrência de morte cardiovascular ou internação por descompensação da insuficiência cardíaca. Essa pesquisa confirmou os resultados de um estudo anterior (DAPA-HF) que havia demonstrado que uma medicação similar (dapaglifozina) reduz em 31% o risco de morte nesses pacientes, em comparação com o placebo.

Esses resultados são extremamente animadores, pois adicionam mais uma classe de medicamentos capaz de reduzir a mortalidade e as descompensações dos pacientes com insuficiência cardíaca, reduzindo a necessidade de intervenções mais invasivas, como o transplante cardíaco.



Notícias publicadas recentemente indicam que o secretário de Cultura do Governo Federal, Mário Frias, foi internado em um hospital de Brasília com um quadro cardiológico agudo e que teria sido submetido a um cateterismo cardíaco para desobstrução de uma artéria coronária.

Na notícia veiculada pela imprensa, o quadro apresentando por Frias foi caracterizado como “princípio de infarto”. Este é um termo leigo que se refere a uma condição médica chamada de síndrome coronariana aguda.

Esse quadro geralmente é causado por uma obstrução crítica ou uma oclusão total, porém passageira, de uma ou mais das artérias coronárias, que são os vasos que irrigam o músculo cardíaco.

Nesses casos, é realizado inicialmente um tratamento com remédios e após a estabilização do quadro, o paciente é submetido a um cateterismo cardíaco dentro de 12 a 24 horas do início dos sintomas.

Nesse exame, é puncionada uma artéria na região do punho ou da virilha e, utilizando-se um cateter especial, as coronárias são visualizadas e identificados pontos de obstrução. Se as obstruções forem graves, é realizado o tratamento no mesmo procedimento por meio da dilatação com balão (angioplastia) e a colocação de pequenas próteses metálicas (os stents).

Já na ocorrência caso de um infarto agudo do miocárdio (que é diagnosticado a partir de alterações características presentes no eletrocardiograma), a artéria coronária é totalmente obstruída por um coágulo que se instala sobre uma placa de gordura rompida, levando a uma interrupção completa da irrigação do músculo cardíaco e à morte do tecido. Nesse caso, o paciente deve ser submetido ao cateterismo cardíaco o mais rápido possível, pois a desobstrução da coronária pela angioplastia com implante de stent limita o dano ao músculo cardíaco e reduz de maneira expressiva o risco de morte do paciente.

Segundo informações veiculadas pelos meios de comunicação, previamente ao quadro cardiológico agudo, o secretário Mário Frias apresentava sintomas da Covid-19. Durante a atual pandemia tem sido observado que, com relativa frequência, os pacientes com quadros cardiológicos agudos retardam a decisão de procurar o atendimento de emergência, quer seja por medo de serem contaminados durante o atendimento no hospital ou por confundirem os sintomas do infarto com os sintomas da Covid. Além disso, as alterações inflamatórias e a ativação da coagulação do sangue provocadas pela infecção pelo coronavírus podem, por si só, desencadear um quadro de infarto do miocárdio ou síndrome coronariana aguda mesmo em pacientes com poucos ou nenhum fator de risco para a aterosclerose (acumulação de placas de gordura nas paredes das artérias).

Cabe ressaltar que, mesmo na vigência da pandemia da Covid-19, as doenças cardiovasculares ainda lideram as causas de morte em adultos no Brasil. Dessa forma, os sintomas sugestivos de um quadro cardiológico agudo não devem ser negligenciados e o atendimento de emergência deve ser procurado sem demora, pois esta atitude pode significar a diferença entre uma recuperação completa ou a ocorrência de sequelas cardíacas graves ou mesmo a morte.



 

A válvula aórtica é uma válvula cardíaca que conecta o coração com a maior artéria do organismo, que é a artéria aorta. Em condições normais, essa válvula permite uma passagem ampla de sangue entre o ventrículo esquerdo e a aorta.

Com o envelhecimento, algumas pessoas podem desenvolver um processo degenerativo causado pelo espessamento dos folhetos, seguido da deposição de gordura e cálcio, provocando a fusão (aderência) de um folheto ao outro, o que provoca uma redução gradual e progressiva da abertura da válvula aórtica. Esse processo é chamado de estenose degenerativa da válvula aórtica.

Quando a redução da área de abertura da válvula aórtica é muito significativa (causando um grande dificuldade à saída de sangue do coração para a artéria aorta), começam a surgir os sintomas clássicos da estenose aórtica que são: a falta de ar (cansaço aos esforços) progressiva, a dor no peito (muito semelhante à dor de angina) e em casos mais extremos, os desmaios com perda momentânea da consciência.

É importante ressaltar que a estenose aórtica quando severa, ou seja, quando a área de abertura da válvula está muito reduzida, causa um aumento do risco de morte dos pacientes. Consequentemente, o tratamento precoce da estenose aórtica grave é muito importante para prevenir a ocorrência de morte e o surgimento de outras complicações. Se a estenose aórtica grave não for tratada, ela pode ocasionar uma progressiva dilatação do coração e o consequente comprometimento da sua função de bomba, levando a uma piora importante dos sintomas e ao aumento do risco de morte.

Tratamento – Até o início dos anos 2000, o único tratamento disponível para a estenose da válvula aórtica era a cirurgia de peito aberto, no qual se expunha o coração, se ressecava a válvula aórtica doente e se colocava uma prótese artificial (que poderia ser metálica ou feita de material biológico).

A partir dessa época, foi desenvolvido um método de implante por cateter de uma nova válvula aórtica. Inicialmente aplicado apenas em pacientes sem condições clínicas de serem submetidos à cirurgia convencional, esse novo método de tratamento foi progressivamente evoluindo e melhorando os seus resultados. Estudos clínicos comparando o implante por cateter com a cirurgia de troca da válvula demonstram resultados equivalentes entre os dois métodos de tratamento no que diz respeito à redução de mortalidade e melhora dos sintomas clínicos. Atualmente, o implante por cateter da válvula aórtica é aplicado em uma ampla gama de pacientes com estenose da válvula aórtica, com uma recuperação mais rápida e também com uma taxa de complicações menores do que se observa com a cirurgia de peito aberto, especialmente nos pacientes mais idosos.

Em resumo, o tratamento por cateter da estenose da válvula aórtica, desde que anatomicamente viável, é o tratamento de eleição da estenose grave da válvula aórtica por ser menos invasivo, ter uma menor taxa de complicações e possibilitar uma recuperação mais rápida dos pacientes.



O Dr. Gilberto Lahorgue Nunes responde as questões mais comuns sobre a sua atividade.

Quais doenças um médico cardiologista trata?

O cardiologista faz o diagnóstico e o tratamento das doenças que envolvem o coração e o sistema cardiovascular. As doenças mais frequentemente tratadas pelo cardiologista são a pressão alta (hipertensão arterial), as obstruções das artérias coronárias (vasos que irrigam o músculo cardíaco), as doenças das válvulas cardíacas, as arritmias cardíacas e a insuficiência cardíaca (“coração dilatado”).

Quando procurar um cardiologista?

Deve-se procurar o cardiologista na presença de sintomas sugestivos da presença de doenças cardíacas, tais como a dor no peito, o cansaço, a falta de ar e as palpitações. Geralmente, recomenda-se que a partir dos 40 anos de idade, todas as pessoas façam uma avaliação cardiológica de rotina. Pessoas que tenham histórico de doença cardíaca na família ou que apresentem fatores de risco tais como diabetes, hipertensão, fumo, obesidade ou aumento do colesterol devem fazer esta avaliação mais precocemente.

O que perguntar em uma consulta ao cardiologista?

Durante a consulta com o cardiologista, o paciente deve relatar todos os sintomas que apresenta assim como informar se é portador de algum fator de risco para as doenças cardiovasculares ou se algum familiar de primeiro grau (pais, avós, irmãos/irmãs) é portador de algum tipo de doença cardiovascular ou apresentou morte súbita. O paciente deve perguntar sobre como adotar um estilo de vida mais saudável e que diminua o seu risco de desenvolver doenças do coração.

O que faz um cardiologista intervencionista?

O cardiologista intervencionista é um cardiologista que tem especialização na área de tratamento das doenças cardiovasculares por cateter. Isso inclui o tratamento das obstruções das coronárias, das doenças das válvulas cardíacas e de outras doenças que envolvam as artérias do corpo.



 

Infarto do miocárdio é a oclusão aguda ou súbita de uma coronária – artéria que irriga uma parte do músculo cardíaco –, levando a uma isquemia aguda, ou seja, à falta de oxigenação desse tecido do coração. Essa falta de oxigenação aguda pode ocasionar a morte desse tecido caso não seja instituído um tratamento precoce.

Geralmente a dor do infarto tem características e localização muito parecidas com a dor de angina, ou seja, geralmente é do lado esquerdo do peito ou na porção central do tórax, atrás do osso esterno. Ela é em peso, aperto ou queimação, mas com uma intensidade muito superior a dor de angina. Além disso, frequentemente a dor de infarto está associada ao suor frio, náuseas e, eventualmente, vômitos.

Ao perceber os sintomas – dor prolongada e intensa, surgindo em repouso –, deve-se entrar em contato imediatamente com o serviço de emergência para ser atendido, de preferência em casa, e ser levado de ambulância para o hospital. Isso porque, na grande maioria dos casos, as complicações mais imediatas do infarto são devido às arritmias cardíacas, que podem levar a uma parada cardíaca. Então, se essa arritmia acontece dentro de uma ambulância equipada, é muito mais fácil revertê-la. Evidentemente que, se o auxílio de uma ambulância for demorado e for mais rápido acessar o atendimento com um veículo próprio, essa alternativa deve ser implementada.

Chegando ao hospital, é feito um eletrocardiograma para confirmar o diagnóstico de infarto. Também são feitas medicações que bloqueiam as plaquetas e afinam um pouco o sangue. Na sequência, esse paciente deve ser submetido a um cateterismo cardíaco em caráter de urgência, para identificar a artéria responsável pelo infarto e proceder a desobstrução da mesma, com a realização da angioplastia e da colocação de próteses metálicas, os stents.

Esse tipo de tratamento salva vidas, diminuindo de maneira expressiva a mortalidade associada à fase aguda do infarto do miocárdio.

Se a pessoa mora em uma região onde não há hospital equipado para realizar o cateterismo cardíaco de urgência e a angioplastia, esse paciente deve ser submetido no ambiente hospitalar a um tratamento com trombolíticos. Essa medicação é aplicada na veia e dissolve o coágulo que se forma em cima da placa de gordura, permitindo uma passagem parcial de sangue, aliviando os sintomas e permitindo que o músculo não morra, como aconteceria se a coronária permanecesse obstruída. Esse tipo de tratamento serve como ponte para posterior realização do cateterismo cardíaco – em 24/48 horas no máximo, o paciente deve ser transferido para um centro mais equipado e ser submetido ao cateterismo e à angioplastia.



No dia 14 de novembro, celebra-se o Dia Mundial do Combate ao Diabetes, uma doença que tem se tornado uma verdadeira pandemia mundial. Dados do Ministério da Saúde contabilizam um total de aproximadamente 16 milhões de diabéticos no Brasil. A incidência aumenta com o envelhecimento, acometendo mais de 20% da população com idade acima dos 65 anos, sendo que o diabetes anda de mão dadas com outra epidemia nacional, a obesidade.

Projeções feitas a partir de estudos epidemiológicos indicam que até 2045 haverá um aumento de 55% ou mais no número de diabéticos no nosso país, com um impacto expressivo em termos de saúde pública.

O diabetes é um conhecido fator de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares, como o infarto e o acidente vascular cerebral. Além disso, os diabéticos estão mais propensos a desenvolver hipertensão arterial e aumento dos níveis de colesterol. Pacientes adultos com diabetes apresentam um risco duas a quatro vezes maior de morrer de doenças cardíacas do que os não-diabéticos.

O que podemos fazer para impedir o alastramento dessa doença e das suas consequências?

Mudanças simples no estilo de vida exercem um efeito poderoso na prevenção do desenvolvimento do diabetes. Dados do Diabetes Prevention Program dos Estados Unidos mostraram uma redução de 58% na incidência da doença ao final de três anos de acompanhamento com a perda de 7% do peso corporal e a realização de atividade física de moderada intensidade por 150 minutos por semana.

Outra medida fundamental é o diagnóstico precoce, especialmente em pessoas com obesidade/sobrepeso, hipertensão arterial ou com história de diabetes na família. O diagnóstico e tratamento precoce do diabetes são fundamentais para prevenir a ocorrência de dano ao coração, ao cérebro e aos rins.

Finalmente, novos medicamentos recentemente aprovados para o uso clínico, são capazes de reduzir a ocorrência de morte por causas cardiovasculares e a progressão do comprometimento da função dos rins. Em resumo, podemos sim controlar a epidemia do diabetes usando o tripé prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado!

 

Fonte: JC – 13/11/2020



 

Uma dúvida muito frequente é sobre o que é a angina. Se é uma doença cardíaca, como deve ser tratada?

Na verdade, a angina é um sintoma. É uma dor, geralmente, no lado esquerdo do peito ou na porção central do tórax, atrás do osso esterno. Normalmente, tem uma característica de aperto ou de peso. Mais raramente, pode se manifestar como uma queimação, muitas vezes se confundindo com um sintoma gástrico.

Classicamente, a angina surge quando a pessoa faz algum tipo de esforço físico – subir uma escada, acelerar o passo – e, tradicionalmente, alivia em poucos minutos, assim que a pessoa cessa a atividade que a provocou.

A angina é uma manifestação clínica de uma obstrução de alguma artéria coronária por uma placa de gordura. As artérias coronárias são aquelas que irrigam o músculo cardíaco. Quando o fluxo de sangue é diminuído pela existência de uma obstrução, o sinal de alerta que o coração emite é justamente a dor de angina.

Tratamento – Quando a pessoa começa a apresentar esse sintoma, é muito importante que ela procure consultar com um cardiologista para avaliar a extensão do problema e, eventualmente, definir qual o melhor tratamento a ser empregado, que pode ser apenas com medicações ou com a realização de um exame invasivo, chamado cateterismo cardíaco.

O cateterismo cardíaco vai identificar aonde são as obstruções, se comprometem uma ou mais coronárias, e, eventualmente, definir se há necessidade de um tratamento diferente, que pode ser a angioplastia com colocação de stent

s coronários (próteses metálicas que mantêm o vaso aberto) ou, numa minoria de pacientes, a necessidade de fazer uma cirurgia de peito aberto com a colocação de pontes de safena.

Em alguns casos, geralmente naqueles pacientes que tiveram dor em um esforço físico e não procuraram um cardiologista para investigar, pode se instalar um quadro de angina instável – quando a dor começa a aparecer cada vez mais com menos quantidade de esforço, com maior frequência e maior intensidade ou até com a pessoa parada, sem fazer nenhuma atividade físico. Nesses casos, é preciso ação imediata, o paciente deve procurar uma emergência de algum hospital, pois eventualmente, pode haver a necessidade de se realizar um cateterismo de urgência devido à gravidade do quadro.

O reconhecimento desse sintoma e o seu tratamento adequado impedem que o quadro possa progredir para um infarto agudo do miocárdio.



1. Como é realizado o cateterismo cardíaco?

O cateterismo cardíaco é realizado por intermédio de uma punção de uma artéria ou veia e a introdução de cateteres até o coração. A realização do cateterismo do coração utilizando a punção de uma veia (geralmente localizada na região da virilha) é, na maioria das vezes, realizado nos pacientes (crianças ou adolescentes) portadores de malformações congênitas do coração ou no estudo das arritmias e dos bloqueios do sistema de condução elétrico do coração (este tipo de cateterismo é chamado de estudo eletrofisiológico). Nos demais tipos de cateterismo cardíaco, utiliza-se a punção de uma artéria localizada na região da virilha (chamado cateterismo pela via femoral) ou na região do punho (chamado de cateterismo pela via radial). Após a punção da artéria, cateteres são avançados até a junção da artéria aorta com o coração e os óstios das artérias coronárias (coronárias direita e esquerda) são cateterizados. Através do cateter, é injetado um tipo de contraste que opacifica as coronárias, sendo realizadas injeções em vários ângulos diferentes para determinar a presença ou não de obstruções. Essas imagens são registradas e armazenadas em um CD. Ao final do exame é necessário estancar o sangramento pelo local da punção da artéria. Se o exame foi feito pelo punho, aplica-se uma pulseira ou faz-se um curativo compressivo no local. No caso de punção da artéria da virilha, é realizada uma compressão manual do local por um período de 15-20 minutos.

2. Quanto tempo demora o procedimento de cateterismo?
Cateterismo cardíaco é o nome genérico que é dado a todos os procedimentos invasivos nos quais o coração é acessado por cateteres introduzidos no corpo por intermédio da punção de uma artéria ou veia. Na maioria dos casos, o cateterismo cardíaco é utilizado como sinônimo da cinecoronariografia, que é um tipo de cateterismo do coração cujo objetivo é visualizar as artérias coronárias (que são os vasos que irrigam o músculo cardíaco) a fim de detectar a presença ou não de obstruções (ou bloqueios) destas artérias. Este tipo de exame geralmente tem uma duração média de 20 a30 minutos.

3. Como é a recuperação após um cateterismo?
O tempo de recuperação no hospital depende de por onde foi realizado o exame. Se foi pela artéria do punho, o paciente fica em observação por um período de três a quatro horas. Durante esse tempo, o paciente pode ficar sentado e caminhar. Se o procedimento foi realizado pela virilha, o tempo de recuperação no hospital é de quatro a seis horas. Durante esse tempo, o paciente deve ficar deitado e sem mexer a perna em que foi realizado o exame, não podendo sentar nem caminhar durante esse período. Após a alta para casa, recomenda-se não forçar a perna do exame até o dia seguinte.

4. Quanto dias o paciente fica com curativo no braço após fazer o cateterismo pelo punho?O curativo (ou a pulseira) é retirado ainda no hospital, antes da liberação para casa. Geralmente, é colocada uma bandagem simples (tipo Band-Aid) para proteção nas primeiras horas em casa.

5. É normal sentir dor no braço após um cateterismo pelo punho?
Quando o cateterismo é realizado pelo punho, é realizada uma anestesia no local e também uma sedação leve administrada pelo anestesista. O desconforto associado ao procedimento é, de modo geral, de leve intensidade e restrito ao período durante o qual os cateteres são manipulados. Após a retirada dos cateteres, o paciente pode sentir uma sensação de pressão no punho pela ação do curativo compressivo ou da pulseira de compressão, que são utilizados para selar o local da punção da artéria. Desconforto ou dor intensos associados ao cateterismo pelo punho são raros. Se após a alta do hospital (quando o curativo já foi retirado) o paciente persistir com desconforto intenso ou desenvolver dor forte ao longo do braço, ele deve retornar ao hospital para ser reavaliado.

6. Como é o preparo para o cateterismo?
O preparo para o cateterismo é bastante simples, sendo recomendado apenas que o paciente fique em jejum por um período de seis horas antes do exame. Se o paciente é diabético e usa uma medicação à base de uma substância chamada metformina, recomenda-se que ela seja suspensa na véspera do exame. Se o paciente usa algum tipo de anticoagulante (medicamentos que impedem a coagulação do sangue), deve comunicar o nome do medicamento ao fazer o agendamento do exame. Os anticoagulantes devem ser suspensos um certo número de dias antes da realização do exame, sendo que o período de suspensão depende do tipo de anticoagulante utilizado. Por fim, se o paciente apresentou anteriormente alergia ao realizar um exame que utiliza contraste a base de iodo (como por exemplo a tomografia), deve também comunicar esse fato ao fazer o agendamento do exame, pois nesses casos é recomendado o uso de medicamentos antialérgicos antes da realização do exame. Também é recomendado que pacientes com história de alergia intensa a frutos do mar ou a algum medicamento comunique esse fato previamente.

7. Após o cateterismo, o paciente sente muitas dores?
Não, o normal é não sentir dor nenhuma ou mínimo desconforto após o exame, especialmente, após a liberação para casa. A presença de dor importante não é normal e pode significar a ocorrência de algum tipo de complicação. Nesse caso, o paciente deve retornar imediatamente ao hospital aonde o exame foi realizado para ser avaliado.

8. É comum ter arterite pós cateterismo?
Não, a arterite é uma complicação rara associada à realização de cateterismo cardíaco e significa a ocorrência de uma inflamação ou infecção que atinge a parede da artéria. Ela é caracterizada por dor intensa, vermelhidão e aumento da temperatura no trajeto da artéria utilizada para a realização do exame. Geralmente, ela responde bem à utilização de analgésicos e anti-inflamatórios e, eventualmente, ao uso de gelo no local. Em caso de suspeita dessa complicação, o paciente deve retornar ao hospital ou entrar em contato com o médico que realizou o exame.

9. Quais os efeitos colaterais do cateterismo?
O cateterismo cardíaco não apresenta efeitos colaterais. As reações mais comuns relacionadas à realização desse exame são o desconforto decorrente da progressão e/ou manipulação dos cateteres, náuseas e, eventualmente, os vômitos. O cateterismo cardíaco é um exame altamente seguro e, se realizado por profissional experiente e utilizando técnica adequada, as complicações são extremamente raras. Na maioria esmagadora dos casos, é um exame muito bem tolerado, rápido e associado a mínimo desconforto. As complicações que podem acontecer são geralmente relacionadas ao local da punção da artéria, como os hematomas, o pseudoaneurisma e a fistula arteriovenosa (essas duas últimas são pouco frequentes). Cabe ressaltar que a realização do cateterismo pelo punho (pela via radial) reduz de maneira significativa o risco de surgimento de complicações no local da punção em comparação com o acesso pela perna (femoral), além de ser mais confortável para o paciente e permitir a liberação mais precoce do hospital.


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