Blog


O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes esclarece sobre o tempo de duração do cateterismo quando para diagnóstico ou tratamento

Cateterismo cardíaco é o nome genérico que se dá para todos os procedimentos em que o coração é acessado por intermédio da introdução de cateteres, com a punção de uma artéria ou uma veia.
Na grande maioria dos casos, quando se fala em cateterismo cardíaco, está se referindo ao estudo realizado das artérias coronárias visando à detecção de obstrução ou de entupimento desses vasos.
De modo geral, o cateterismo é um exame bastante rápido, realizado em torno de 15 a 20 minutos. No caso do cateterismo ser feito para tratamento de uma doença cardíaca, o tempo pode variar de 30 minutos a duas ou três horas, dependendo da complexidade do caso a ser tratado.



 

Em 2020, a Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul realizou a primeira edição do Socergs Atualização Digital. O médico cardiologista Gilberto Lahorgue Nunes participou como um dos palestrantes convidados, abordando o tratamento das doenças cardíacas estruturais por cateter.
Cada vez mais, os tratamentos por cateter vêm sendo aplicados com bons resultados, especialmente em pacientes nos quais a cirurgia de peito aberto é contraindicada ou de alto risco. Para o Dr. Gilberto, essa alternativa representa uma nova fronteira para tratamentos por cateter.

Às vésperas da segunda edição, a Socergs liberou os vídeos das palestras de 2020. Compartilhamos aqui a palestra do Dr. Gilberto.

Em tempo: no próximo sábado, 8 de maio de 2021, o Dr. Gilberto participa da segunda edição, com o tema “Doenças valvulares”. O conteúdo será apresentado via live streaming durante o período em que o evento estiver ocorrendo. Após a live, poderá ser acessado pelos inscritos via on demand (disponível por três meses) no site da Socergs.



Os stents coronários são pequenas próteses metálicas utilizadas para desobstruir estreitamentos nas artérias coronárias (vasos que irrigam o músculo cardíaco), que provocam o surgimento de dor no peito desencadeada por esforços físicos (angina) ou, em casos extremos, quadros de infarto do miocárdio ou pré-infarto.

Os stents não enferrujam, não quebram, não apresentam rejeição e não saem do local, desde que adequadamente implantados e expandidos. O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes destaca ainda que eles são extremamente eficazes no alívio dos sintomas de angina e, em quadros de infarto e pré-infarto, reduzem o risco de complicações graves, inclusive a ocorrência de morte. 

Essas próteses são feitas de ligas metálicas (tais como cromo ou cobalto), resistentes apesar de possuírem hastes finas, e se conformam completamente à anatomia do vaso.

Os stents são implantados no local da obstrução por meio da insuflação de um pequeno balão, sobre o qual a prótese vem montada, que é introduzido na circulação através de cateteres avançados até o coração a partir da punção de uma artéria localizada no punho (acesso radial) ou na virilha (acesso femoral). As próteses utilizadas atualmente vêm impregnadas com medicamentos que bloqueiam a ocorrência de cicatrização excessiva ou inflamação no local do implante.



Uma ótima notícia para os portadores de planos de saúde da Unimed Porto Alegre: a operadora enviou circular aos seus médicos cooperados indicando que está em processo de incorporação do Implante por Cateter de Válvula Aórtica (TAVI) para ser disponibilizado aos seus segurados.
A iniciativa está em consonância com o disposto na Resolução Normativa no 465 do Ministério da Saúde/Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS), de 24 de fevereiro de 2021, que incluiu o TAVI no rol de procedimentos a serem adotados pelos convênios.
Desta forma, a Unimed Porto Alegre sinaliza que esse procedimento será autorizado de rotina nos pacientes que atendam aos seguintes critérios estabelecidos pela RN no 465:

– Pacientes com idade > 75 anos com estenose da válvula aórtica sintomática, com expectativa de vida > 1 ano e que sejam de alto risco para cirurgia convencional ou inoperáveis;
– A decisão pela indicação da TAVI deverá ser respaldada por um grupo multidisciplinar incluindo o cardiologista clínico, o cardiologista intervencionista, o cirurgião cardíaco e o anestesista.

Embora as evidências científicas atuais indiquem que a TAVI é benéfica e apresenta resultados semelhantes ou mesmo superiores à cirurgia, também em pacientes com risco cirúrgico intermediário ou baixo, essa decisão da Unimed Porto Alegre deve ser comemorada, pois vai beneficiar um grande número de pacientes portadores de estenose da válvula aórtica. A luta agora é para que a ANS expanda a indicação da TAVI para os demais grupos de pacientes, a exemplo do que já é rotina na Europa e nos Estados Unidos.



O cateterismo cardíaco é o nome genérico que se dá aos procedimentos invasivos cardiológicos realizados com a introdução de cateteres (pequenos tubos) no sistema circulatório. O cateterismo cardíaco pode ser classificado como diagnóstico ou terapêutico.

No cateterismo diagnóstico, o exame é feito visando confirmar ou não a suspeita da presença de uma doença cardíaca (obstrução de coronárias, mau funcionamento de válvulas cardíacas, etc.). Na maioria dos casos, esse exame é feito de maneira ambulatorial, com um tempo de observação posterior no hospital variando de três a cinco horas. Normalmente, o paciente pode retornar às suas atividades normais no dia seguinte ao procedimento, salvo se for detectada a presença de algum comprometimento cardíaco mais grave.

No cateterismo terapêutico, o que se procura é tratar uma doença cardíaca previamente diagnosticada por meio de técnicas menos invasivas do que a cirurgia cardíaca. Esse tratamento pode envolver a desobstrução de uma coronária com o implante dos stents, a correção de um problema envolvendo alguma das válvulas cardíacas ou a correção de um defeito congênito do coração. Se o tratamento por cateter for bem sucedido (o que ocorre em mais de 90% dos casos), o tempo de internação varia de um a cinco dias, e o retorno às atividades usuais é gradual, sendo que no máximo em 30 dias o paciente estará  liberado para retomar a sua vida normal.



Os efeitos prejudiciais da infecção pelo coronavírus sobre o coração são mais frequentes do que inicialmente se imaginava. Estudos demonstram que em torno de um quarto dos pacientes hospitalizados por Covid-19 apresenta algum tipo de complicação cardiovascular, sendo que o surgimento dessas complicações é responsável por até 40% das mortes que ocorrem durante a internação.

A Covid-19 causa um quadro de inflamação de grande magnitude no organismo podendo ocasionar uma inflamação generalizada do músculo cardíaco (miocardite), que pode provocar a dilatação do coração e o desenvolvimento de insuficiência cardíaca.

Por outro lado, a infecção pelo coronavírus aumenta o risco de formação de coágulos dentro dos vasos, favorecendo a ocorrência de infarto agudo do miocárdio e de embolia pulmonar.

Além disso, mesmo pacientes sem histórico prévio de doenças cardíacas ou com quadros clínicos mais leves e que não necessitam de internação podem apresentar algum grau de comprometimento cardíaco.

A fim de identificar precocemente o desenvolvimento dessas complicações, é fundamental o acompanhamento médico, independentemente da severidade das manifestações da Covid-19.



O cateterismo cardíaco pode ser realizado por duas técnicas: puncionando-se uma artéria no punho (via radial) ou na virilha (via femoral).

Na técnica femoral, é feita uma anestesia local na região da virilha e, a seguir, puncionada a artéria femoral. Através dessa punção, os cateteres são avançados até o coração.

Após o término do procedimento, os cateteres são retirados e é realizada uma compressão manual por 15 minutos a fim de estancar o sangramento.

Posteriormente, é necessário que o paciente permaneça deitado com a perna imóvel por um período em torno de quatro a cinco horas. Se os anticoagulantes forem utilizados durante a intervenção, é necessário aguardar um período de duas a quatro horas para poder retirar o cateter da virilha. O tempo de repouso no leito necessário, nesse caso, pode chegar a seis horas.

Atualmente, o cateterismo pela virilha, geralmente, só é utilizado em caso de impossibilidade de realização do procedimento pela via radial ou quando há necessidade de puncionar uma veia para estudar o lado direito do coração. A razão da preferência de acesso pelo punho é a menor ocorrência de complicações vasculares, o menor tempo de recuperação (em torno de três horas) e o maior conforto proporcionado ao paciente após o exame (visto que o paciente pode passar o período de observação sentado e liberado para caminhar imediatamente, não havendo a necessidade de repouso no leito pós-procedimento).


Dr. Gilberto Nunes | Todos os Direitos Reservados

Agência Ibr Marketing Digital