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1. Como é realizado o cateterismo cardíaco?

O cateterismo cardíaco é realizado por intermédio de uma punção de uma artéria ou veia e a introdução de cateteres até o coração. A realização do cateterismo do coração utilizando a punção de uma veia (geralmente localizada na região da virilha) é, na maioria das vezes, realizado nos pacientes (crianças ou adolescentes) portadores de malformações congênitas do coração ou no estudo das arritmias e dos bloqueios do sistema de condução elétrico do coração (este tipo de cateterismo é chamado de estudo eletrofisiológico). Nos demais tipos de cateterismo cardíaco, utiliza-se a punção de uma artéria localizada na região da virilha (chamado cateterismo pela via femoral) ou na região do punho (chamado de cateterismo pela via radial). Após a punção da artéria, cateteres são avançados até a junção da artéria aorta com o coração e os óstios das artérias coronárias (coronárias direita e esquerda) são cateterizados. Através do cateter, é injetado um tipo de contraste que opacifica as coronárias, sendo realizadas injeções em vários ângulos diferentes para determinar a presença ou não de obstruções. Essas imagens são registradas e armazenadas em um CD. Ao final do exame é necessário estancar o sangramento pelo local da punção da artéria. Se o exame foi feito pelo punho, aplica-se uma pulseira ou faz-se um curativo compressivo no local. No caso de punção da artéria da virilha, é realizada uma compressão manual do local por um período de 15-20 minutos.

2. Quanto tempo demora o procedimento de cateterismo?
Cateterismo cardíaco é o nome genérico que é dado a todos os procedimentos invasivos nos quais o coração é acessado por cateteres introduzidos no corpo por intermédio da punção de uma artéria ou veia. Na maioria dos casos, o cateterismo cardíaco é utilizado como sinônimo da cinecoronariografia, que é um tipo de cateterismo do coração cujo objetivo é visualizar as artérias coronárias (que são os vasos que irrigam o músculo cardíaco) a fim de detectar a presença ou não de obstruções (ou bloqueios) destas artérias. Este tipo de exame geralmente tem uma duração média de 20 a30 minutos.

3. Como é a recuperação após um cateterismo?
O tempo de recuperação no hospital depende de por onde foi realizado o exame. Se foi pela artéria do punho, o paciente fica em observação por um período de três a quatro horas. Durante esse tempo, o paciente pode ficar sentado e caminhar. Se o procedimento foi realizado pela virilha, o tempo de recuperação no hospital é de quatro a seis horas. Durante esse tempo, o paciente deve ficar deitado e sem mexer a perna em que foi realizado o exame, não podendo sentar nem caminhar durante esse período. Após a alta para casa, recomenda-se não forçar a perna do exame até o dia seguinte.

4. Quanto dias o paciente fica com curativo no braço após fazer o cateterismo pelo punho?O curativo (ou a pulseira) é retirado ainda no hospital, antes da liberação para casa. Geralmente, é colocada uma bandagem simples (tipo Band-Aid) para proteção nas primeiras horas em casa.

5. É normal sentir dor no braço após um cateterismo pelo punho?
Quando o cateterismo é realizado pelo punho, é realizada uma anestesia no local e também uma sedação leve administrada pelo anestesista. O desconforto associado ao procedimento é, de modo geral, de leve intensidade e restrito ao período durante o qual os cateteres são manipulados. Após a retirada dos cateteres, o paciente pode sentir uma sensação de pressão no punho pela ação do curativo compressivo ou da pulseira de compressão, que são utilizados para selar o local da punção da artéria. Desconforto ou dor intensos associados ao cateterismo pelo punho são raros. Se após a alta do hospital (quando o curativo já foi retirado) o paciente persistir com desconforto intenso ou desenvolver dor forte ao longo do braço, ele deve retornar ao hospital para ser reavaliado.

6. Como é o preparo para o cateterismo?
O preparo para o cateterismo é bastante simples, sendo recomendado apenas que o paciente fique em jejum por um período de seis horas antes do exame. Se o paciente é diabético e usa uma medicação à base de uma substância chamada metformina, recomenda-se que ela seja suspensa na véspera do exame. Se o paciente usa algum tipo de anticoagulante (medicamentos que impedem a coagulação do sangue), deve comunicar o nome do medicamento ao fazer o agendamento do exame. Os anticoagulantes devem ser suspensos um certo número de dias antes da realização do exame, sendo que o período de suspensão depende do tipo de anticoagulante utilizado. Por fim, se o paciente apresentou anteriormente alergia ao realizar um exame que utiliza contraste a base de iodo (como por exemplo a tomografia), deve também comunicar esse fato ao fazer o agendamento do exame, pois nesses casos é recomendado o uso de medicamentos antialérgicos antes da realização do exame. Também é recomendado que pacientes com história de alergia intensa a frutos do mar ou a algum medicamento comunique esse fato previamente.

7. Após o cateterismo, o paciente sente muitas dores?
Não, o normal é não sentir dor nenhuma ou mínimo desconforto após o exame, especialmente, após a liberação para casa. A presença de dor importante não é normal e pode significar a ocorrência de algum tipo de complicação. Nesse caso, o paciente deve retornar imediatamente ao hospital aonde o exame foi realizado para ser avaliado.

8. É comum ter arterite pós cateterismo?
Não, a arterite é uma complicação rara associada à realização de cateterismo cardíaco e significa a ocorrência de uma inflamação ou infecção que atinge a parede da artéria. Ela é caracterizada por dor intensa, vermelhidão e aumento da temperatura no trajeto da artéria utilizada para a realização do exame. Geralmente, ela responde bem à utilização de analgésicos e anti-inflamatórios e, eventualmente, ao uso de gelo no local. Em caso de suspeita dessa complicação, o paciente deve retornar ao hospital ou entrar em contato com o médico que realizou o exame.

9. Quais os efeitos colaterais do cateterismo?
O cateterismo cardíaco não apresenta efeitos colaterais. As reações mais comuns relacionadas à realização desse exame são o desconforto decorrente da progressão e/ou manipulação dos cateteres, náuseas e, eventualmente, os vômitos. O cateterismo cardíaco é um exame altamente seguro e, se realizado por profissional experiente e utilizando técnica adequada, as complicações são extremamente raras. Na maioria esmagadora dos casos, é um exame muito bem tolerado, rápido e associado a mínimo desconforto. As complicações que podem acontecer são geralmente relacionadas ao local da punção da artéria, como os hematomas, o pseudoaneurisma e a fistula arteriovenosa (essas duas últimas são pouco frequentes). Cabe ressaltar que a realização do cateterismo pelo punho (pela via radial) reduz de maneira significativa o risco de surgimento de complicações no local da punção em comparação com o acesso pela perna (femoral), além de ser mais confortável para o paciente e permitir a liberação mais precoce do hospital.




 

O fumo representa uma das principais causas das doenças cardiovasculares. Estima-se que uma a duas mortes, entre cada 10 que ocorrem no mundo anualmente, sejam devidas ao hábito de fumar. Existe um impacto negativo do tabagismo sobre alguns fatores de risco cardiovasculares, como a intolerância aos carboidratos e os baixos níveis do colesterol protetor, o chamado HDL colesterol.

Outro fator importante é o efeito potencializador do fumo sobre os demais fatores de risco para doença cardiovascular, como hipertensão, diabete e níveis elevados do colesterol ruim (o LDL colesterol). Quando a pessoa fuma e tem um desses fatores de risco adicionalmente, o risco de desenvolver complicações cardiovasculares sérias aumenta em quatro vezes. Se, por outro lado, a pessoa fuma e possui dois desses fatores de risco, a chance de um evento grave cardiovascular aumenta em oito vezes.

Além das doenças cardíacas, como infarto e angina, o tabagismo também provoca o acidente vascular cerebral (AVC), os aneurismas de aorta e as obstruções das artérias dos membros inferiores.

É importante ressaltar que, mesmo pessoas que fumam pouco – menos de cinco cigarros por dia –, também apresentam maior risco de desenvolver essas doenças. E mais importante ainda: existe uma correlação entre o número de cigarros que se fuma por dia e o aumento do risco cardiovascular, ou seja, quanto maior o número de cigarros consumidos por dia, maior o risco de infarto e AVC.

A cessação do fumo é extremante benigna para o indivíduo. O risco cardiovascular cai ano após ano após a interrupção do hábito de fumar. Estima-se que após um ano, pelo menos, de abstinência do tabagismo, exista uma redução de 50% do risco cardiovascular. E, ao final de 10 anos de abstinência do fumo, esse risco cardiovascular se iguala ao risco de indivíduos que nunca fumaram.

No Brasil, felizmente, graças às campanhas de conscientização, houve uma redução de 40% na taxa de fumantes nos últimos anos. Em 2006, aproximadamente 15% da população brasileira fumava. Já em 2018, esse número caiu para menos de 10%. Lamentavelmente, algumas capitais, como Porto Alegre, Curitiba e São Paulo, ainda apresentam uma porcentagem de fumantes acima da média nacional de 10%.

Parar de fumar não é uma tarefa fácil, mas deve ser perseguida com afinco, pois é capaz de reduzir de maneira expressiva o risco cardiovascular. A fim de conseguir vencer a dependência química e física causada pelo hábito de fumar são fundamentais o acompanhamento médico, o uso de medicações e outras formas de tratamento como, por exemplo, a terapia cognitiva comportamental.

O tabagismo ainda é um problema de saúde pública no nosso país e deve ser combatido de maneira intensiva. A conscientização dos riscos do tabagismo, tanto em relação às doenças cardiovasculares quanto aos cânceres, deve ser enfatizada à toda a população, e auxílio deve ser prestado àqueles que fumam e desejam parar de fumar, a fim de que a ocorrência das doenças cardiovasculares associadas ao uso do tabaco possa ser reduzida expressivamente no Brasil.

 

Artigo publicado no site do Jornal do Comércio em 28/08/20.

 




 

As elevações dos níveis de colesterol estão na origem da maioria das doenças cardiovasculares, tais como o infarto do coração e o acidente vascular cerebral (AVC). Essas doenças representam a maior causa de mortalidade na população adulta no Brasil.

Existem, basicamente, dois tipos de colesterol: o chamado LDL colesterol ou colesterol ruim e o HDL colesterol ou colesterol bom. O LDL colesterol é o que se deposita nas paredes dos vasos sanguíneos, dando início a um processo chamado aterosclerose. Já, o HDL tem por função retirar o LDL da parede do vaso e fazer a sua metabolização no fígado.

Existe uma relação linear entre os níveis de LDL e a ocorrência de doenças cardiovasculares. Quanto maior o nível de colesterol ruim maior o risco de uma pessoa desenvolver infarto, AVC ou morte súbita.

De modo geral, recomenda-se a avaliação do risco cardiovascular em pessoas sem fatores de risco a partir dos 40 anos de idade, quando são medidos os níveis de colesterol e determinado o risco cardiovascular desse indivíduo. Dessa forma, pode-se selecionar qual a melhor opção de tratamento para esse paciente. Para pessoas com histórico de morte súbita precoce na família (< 55 anos para homens e < 65 anos para as mulheres), com casos de hipercolesterolemia familiar (defeito genético que causa elevação marcada do nível das gorduras no sangue) ou com outros fatores de risco para doença cardiovascular (fumo, hipertensão arterial, diabetes, obesidade), recomenda-se que a avaliação inicial seja realizada a partir dos 20 anos de idade.

Em linhas gerais, a primeira estratégia a ser empregada é a mudança do estilo de vida, ou seja, a realização de exercícios físicos regulares (de moderada intensidade, com duração de pelo menos 30-40 minutos, quatro a cinco vezes por semana), a adoção de uma dieta mais saudável (rica em fibras, verduras, frutas, oleaginosas, óleo extravirgem, peixes, e evitando o consumo de carnes vermelhas ou processadas), perda peso e interrupção do fumo. Se os níveis de colesterol forem muito elevados – LDL colesterol acima de 190 mg/dL –, além dessas medidas gerais, é fundamental também a prescrição de medicamentos específicos para reduzir os seus níveis, mesmo na ausência de outros fatores de risco. Nos pacientes com outros fatores de risco associados, o emprego de medicações que reduzem o colesterol deve ser considerado quando o LDL é superior a 160 mg/dL.

Em resumo, os níveis elevados do colesterol (especialmente do colesterol LDL) contribuem para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares causadas pela aterosclerose (como o infarto e o AVC). A identificação precoce dos seus níveis elevados é fundamental para prevenir a ocorrência destas doenças, evitar as suas consequências e, dessa forma, prolongar a vida. As estratégias de prevenção incluem a adoção de um estilo de vida mais saudável (dieta associada à atividade física regular), o controle adequado dos outros fatores de risco (hipertensão, diabetes, fumo) e, dependendo do perfil de risco do indivíduo, o uso de medicamentos que reduzem os níveis do colesterol no sangue.




 

Ao contrário do que se acredita leigamente, a hipertensão é uma doença que, na maioria dos casos se instala sem causar absolutamente nenhum sintoma ao paciente. Existe um mito popular de que o aumento da pressão causa dor de cabeça. Estudos têm demonstrado que essa crença não tem nenhum fundamento. É mais provável que a pressão aumente pelo desconforto causado por uma crise de cefaleia muito intensa do que o contrário, ou seja, a dor de cabeça é que pode desencadear um aumento transitório da pressão arterial.

A hipertensão arterial é definida como uma medida da pressão máxima (ou sistólica) maior ou igual a 140 milímetros de mercúrio e da pressão mínima (ou diastólica) maior ou igual a 90 milímetros de mercúrio. A única situação clínica na qual a pressão arterial elevada pode causar dor de cabeça é quando acontece a chamada crise hipertensiva. Nesse caso, o aumento muito agudo e importante da pressão arterial leva a um comprometimento cerebral (devido ao edema cerebral) o que pode provocar dor de cabeça, alterações visuais e mesmo alterações sensoriais ou da consciência.

Essa é uma situação felizmente rara devido ao fato de que hoje em dia o diagnóstico da hipertensão geralmente tem sido feito mais precocemente, devido às campanhas de esclarecimento e educação da população. “À medida que envelhecemos, a probabilidade de nos tornarmos hipertensos aumenta. Por isso, a importância da consulta médica de rotina, que é quando a maioria dos pacientes é diagnosticada com essa doença”, recomenda o cardiologista Gilberto Lahorgue Nunes. A hipertensão é uma doença potencialmente grave. Se não tratada, pode levar a uma série de complicações tanto cardíacas quanto renais ou cerebrais.

A partir dos 35, 40 anos, é recomendada a realização de avaliações médicas periódicas, especialmente naquelas pessoas com histórico familiar de hipertensão ou doenças cardíacas. Casos de emergência, como as crises hipertensivas, devem ser tratadas nas emergências dos hospitais, pois representam situações de alto risco para o desenvolvimento de complicações agudas. Nesses casos, frequentemente é necessária a utilização de medicações por via endovenosa visando obter um controle mais adequado dos níveis de pressão.

Um lembrete também importante: cuide bem da sua pressão, não abuse do sal, exercite-se com regularidade e mantenha uma dieta balanceada e saudável.



 


 

O tratamento das doenças cardíacas estruturais por cateter representa a nova fronteira da cardiologia intervencionista.
Cada vez mais, os tratamentos por cateter vêm sendo aplicados com bons resultados, especialmente em pacientes nos quais a cirurgia de peito aberto é contraindicada ou de alto risco.
Com certeza, a sua utilização e o refinamento dos seus resultados irá revolucionar o tratamento de uma série de doenças cardíacas, tornando-se uma alternativa extremante eficaz e menos invasiva do que a cirurgia de peito aberto.
O Dr. Gilberto Lahorgue Nunes aborda o tema neste vídeo, apontando a técnica como alternativa.

A Cardiologia Intervencionista é uma subespecialidade da Cardiologia que envolve todos os tratamentos passíveis de serem feitos por cateter. Durante muitos anos, foi sinônimo de tratamento das obstruções das artérias coronárias como uma alternativa a cirurgia de ponte de safena.

Em anos recentes, houve uma expansão das indicações e das técnicas de tratamento por cateter para permitir também a abordagem das doenças que acometem as válvulas cardíacas e das doenças cardíacas que podem levar ao acidente vascular cerebral (AVC).

Com relação às válvulas, já está comprovado, por vários estudos clínicos controlados, que o implante de uma válvula por cateter para o tratamento de uma doença chamada estenose (estreitamento) da válvula aórtica leva a resultados tanto imediatos quanto tardios tão bons quanto os da cirurgia convencional de peito aberto.

Essa equivalência de resultados foi demonstrada em todos os subgrupos de pacientes com estreitamento da válvula aórtica, quer seja aqueles com risco cirúrgico baixo, alto, ou mesmo naqueles pacientes nos quais o risco é proibitivo e a cirurgia contraindicada.

Mais recentemente, começaram a ser realizadas intervenções para o tratamento da válvula mitral, especificamente para tratar uma doença chamada insuficiência da válvula mitral. Nos pacientes portadores dessa doença, a válvula mitral não faz a vedação de forma adequada, permitindo o refluxo de sangue para os pulmões e levando a um quadro de insuficiência cardíaca. Estudos clínicos controlados demonstraram que a colocação por cateter de um clipe nessa válvula pode fazer com que a evolução desses pacientes seja melhorada em relação ao tratamento clínico com medicamentos. Em um desses estudos (e que incluiu um número maior de pacientes) foi demonstrado que, ao final de dois anos de acompanhamento, houve uma redução da taxa de mortalidade dos pacientes que foram submetidos ao tratamento por cateter.

Uma outra área na qual os procedimentos por cateter têm demonstrado bons resultados é na prevenção dos acidentes vasculares cerebrais (“derrames” cerebrais) provocados por liberação de coágulos a partir do coração e a sua embolização para as artérias do cérebro.

Existem duas situações básicas nas quais esse fenômeno pode acontecer. Na primeira delas, uma falta de fechamento da membrana (septo) que separa as cavidades superiores do coração (chamadas de átrios direito e esquerdo) pode permitir que coágulos formados nas veias das pernas possam cruzar para o lado esquerdo do coração e causarem a obstrução temporária ou permanente de uma artéria que irriga o cérebro. Em pacientes jovens, com menos de 55 anos e que já tenham sofrido uma isquemia cerebral sem causa aparente, o fechamento por cateter do defeito do septo que separa os átrios reduz de maneira significativa a ocorrência de um novo acidente vascular cerebral em comparação com o tratamento com medicamentos.

A segunda situação envolve os pacientes portadores de uma arritmia cardíaca chamada de fibrilação atrial, na qual o uso de anticoagulantes (medicamentos que impedem o sangue de coagular) são indicados para prevenir a embolização de coágulos para o cérebro. Nos pacientes que apresentam alto risco de sangramento ou que tenham contraindicação ao uso dos anticoagulantes, a oclusão por cateter de uma cavidade intracardíaca chamada apêndice atrial esquerdo (aonde a maioria dos coágulos são formados) é uma alternativa segura e eficaz de prevenção do acidente vascular cerebral embólico. Além disso, este tratamento por cateter confere uma proteção contra o risco de sangramento associado ao uso prolongado dos anticoagulantes.




 

Nesse período de isolamento social, um fenômeno tem chamado a atenção. Pacientes portadores de doenças crônicas, especialmente na área da cardiologia, como hipertensão, insuficiência cardíaca ou obstrução de coronárias, não têm procurado ou têm descontinuado o acompanhamento médico por medo de comparecer ao consultório e se contaminar com o novo coronavírus.

Também tem se observado uma redução expressiva no número de pacientes com infarto e outras situações cardiológicas agudas nas emergências dos hospitais.

Estudos, tanto feitos no exterior quanto no Brasil, mostram que paralelamente a isso e, provavelmente como consequência desse tipo de atitude das pessoas, está ocorrendo um aumento do número de paradas cardíacas em casa.

O Dr. Gilberto ressalta que o fato de estarmos em meio a uma pandemia não significa que possamos ignorar o acompanhamento e tratamento de outras doenças crônicas, que podem ser tão importantes quanto a Covid-19.

Consultórios estão adotando todo um conjunto de medidas para minimizar o risco de contaminação e garantir a segurança no atendimento aos seus pacientes.

Uma alternativa também disponibilizada pelos consultórios é o atendimento remoto, por meio da telemedicina, que pode ser realizada por aplicativos de computador ou ainda, de forma mais simples, por vídeo-chamadas no celular.

O cardiologista enfatiza que é fundamental que pacientes cardiopatas continuem com seus acompanhamentos médicos. E mais importante ainda: havendo algum sintoma cardiológico agudo – como dor no peito intensa, falta de ar marcada sem estar associada à infecção de coronavírus, taquicardia e outras arritmias, tonturas levando a desmaios –, esses pacientes devem procurar as emergências de hospitais. O risco de uma complicação grave e até fatal é muito maior do que o eventual risco de contaminação por procurar o atendimento de emergência.

O acompanhamento médico é essencial. As doenças cardiológicas não podem ser negligenciadas durante a pandemia.



A pandemia vai passar, porém os seus efeitos colaterais sobre o sistema de saúde serão mais duradouros

Por Gilberto Lahorgue Nunes, cardiologista

 

A pandemia causada pela COVID-19 tem provocado impacto significativo sobre o sistema de saúde, e não apenas devido ao atendimento dos doentes infectados.

O isolamento social, fundamental para o controle da propagação do coronavírus, tem acarretado um outro fenômeno com potencial igualmente deletério à saúde da população. Pacientes portadores de doenças crônicas e também aqueles com quadros agudos não relacionados à covid-19 tem deixado de procurar o atendimento tanto em hospitais quanto em clínicas por receio de contaminação.

Dados da cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, evidenciaram, nos dois últimos meses, um aumento explosivo do número de pacientes que sofreram parada cardíaca em casa. A falta de acompanhamento médico, o receio de procurar atendimento hospitalar e a suspensão de medicações são elencados como possíveis causadores dessa situação.

No Brasil, o número de pacientes tratados nas emergências por ataques cardíacos sofreu uma redução de 40-50%. Para completar, a demora desses pacientes em procurar o atendimento médico de emergência pode provocar agravamento do quadro clínico e maior risco de sequelas graves.

Um outro efeito colateral importante da atual pandemia é a redução expressiva das internações hospitalares e das cirurgias e procedimentos eletivos, acarretando uma diminuição dramática da taxa de ocupação dos leitos e, por consequência, da receita dos hospitais.

Além disso, o setor passou a sofrer com o aumento dos custos na compra de materiais e equipamentos para o atendimento dos infectados pela COVID-19 e para a proteção das equipes de saúde. Para sobreviver a esse quadro econômico-financeiro desfavorável, os hospitais têm promovido cortes significativos das despesas, inclusive com dispensa de funcionários.

Essa pandemia certamente vai passar, porém os seus efeitos colaterais sobre o sistema de saúde certamente serão mais duradouros, podendo impactar negativamente a qualidade do atendimento de saúde por um período bem mais prolongado.

 

Fonte: Gaúcha ZH


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