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Comunicado recente da Organização Mundial de Saúde (OMS) destaca que existe uma ligação “provável” entre casos de inflamação no coração e a injeção de vacinas contra a covid-19 que usam a tecnologia de RNA mensageiro.

O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes explica a relação entre vacinas e o problema cardíaco, alertando que não há razão para pânico.

Recentemente, foram publicadas notícias na mídia sobre a ocorrência de miocardite após pessoas, especialmente nos Estados Unidos, terem recebido a vacina contra a Covid-19, especificamente, os imunizantes da Pfizer e da Moderna, uma tecnologia nova que utiliza o RNA mensageiro.

A miocardite é uma inflamação do músculo cardíaco, que pode se manifestar com episódios de falta de ar, dor no peito e, eventualmente, palpitações.

Alguns pontos são importantes de serem ressaltados em relação a essa ocorrência. Em primeiro lugar, tanto os órgãos americanos quanto os europeus de controle de vacinas revisaram criteriosamente todos esses casos. A miocardite após a vacinação é bastante rara. De modo geral, acontecem 41 casos por milhão de doses de vacina aplicadas.

Normalmente, essa reação acontece alguns dias depois de tomada a segunda dose da vacina. A maioria dos pacientes acometidos é de jovens do sexo masculino com idade abaixo de 29 anos. Outro ponto importante é que na grande maioria dos casos, o quadro de miocardite é leve e, normalmente, regride com cuidados convencionais para esse tipo de afecção.

Finalmente, a análise dos números de casos ocorridos quanto à gravidade, comparada com o número de pessoas imunizadas, levou a conclusão de que os benefícios da vacina contra a Covid-19 em muito superam os riscos de desenvolvimento de miocardite, que, como falado anteriormente, é bastante rara e tende a ser um acometimento leve.

Não há razão para pânico. Não há motivo para se evitar tomar a vacina. O fundamental é estar alerta para que, se após a segunda dose, especialmente se a pessoa tiver idade abaixo de 29 anos, surgirem alguns sintomas, como falta de ar, dor no peito ou palpitação, procure imediatamente o serviço de saúde para se avaliado.

Escute a explicação do Dr. Gilberto:



O médico cardiologista Gilberto Lahorgue Nunes responde a mais uma pergunta que surge com frequência em sua clínica.

Para isso é necessário, em primeiro lugar, mudanças no estilo de vida, que envolvem a realização de exercícios físicos com regularidade e a manutenção de uma dieta alimentar saudável. Essa alimentação deve ser rica em fibras, legumes, verduras, e pobre em carboidratos e gorduras saturadas.
Em segundo lugar, também é importante o controle dos fatores de risco, como a hipertensão arterial sistêmica, o diabetes e os níveis elevados de colesterol.
E finalmente, outra atitude fundamental é parar de fumar.

Com ações simples, é possível se ter uma vida mais saudável e mais prolongada, evitando complicações sérias que podem comprometer a qualidade de vida.



As doenças cardiovasculares, especialmente o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral, representam a principal causa de morte em adultos no Brasil.
O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes destaca os principais fatores de risco que aumentam a chance de a pessoa ter uma dessas complicações.

Existem vários fatores de risco que levam a pessoa a ter uma dessas doenças cardiovasculares.
Quais são eles?
– História de morte cardíaca súbita na família, especialmente com idade abaixo de 50 anos
– Obesidade
– Sedentarismo
– Diabetes
– Níveis elevados de colesterol e triglicerídeos
Hipertensão arterial sistêmica

Todos esses fatores de risco contribuem para aumentar o chamado risco cardiovascular. Devem ser monitorizados e tratados precocemente a fim de se evitar complicações sérias e, eventualmente, fatais.



 

Em 2020, a Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul realizou a primeira edição do Socergs Atualização Digital. O médico cardiologista Gilberto Lahorgue Nunes participou como um dos palestrantes convidados, abordando o tratamento das doenças cardíacas estruturais por cateter.
Cada vez mais, os tratamentos por cateter vêm sendo aplicados com bons resultados, especialmente em pacientes nos quais a cirurgia de peito aberto é contraindicada ou de alto risco. Para o Dr. Gilberto, essa alternativa representa uma nova fronteira para tratamentos por cateter.

Às vésperas da segunda edição, a Socergs liberou os vídeos das palestras de 2020. Compartilhamos aqui a palestra do Dr. Gilberto.

Em tempo: no próximo sábado, 8 de maio de 2021, o Dr. Gilberto participa da segunda edição, com o tema “Doenças valvulares”. O conteúdo será apresentado via live streaming durante o período em que o evento estiver ocorrendo. Após a live, poderá ser acessado pelos inscritos via on demand (disponível por três meses) no site da Socergs.



 

A válvula aórtica é uma válvula cardíaca que conecta o coração com a maior artéria do organismo, que é a artéria aorta. Em condições normais, essa válvula permite uma passagem ampla de sangue entre o ventrículo esquerdo e a aorta.

Com o envelhecimento, algumas pessoas podem desenvolver um processo degenerativo causado pelo espessamento dos folhetos, seguido da deposição de gordura e cálcio, provocando a fusão (aderência) de um folheto ao outro, o que provoca uma redução gradual e progressiva da abertura da válvula aórtica. Esse processo é chamado de estenose degenerativa da válvula aórtica.

Quando a redução da área de abertura da válvula aórtica é muito significativa (causando um grande dificuldade à saída de sangue do coração para a artéria aorta), começam a surgir os sintomas clássicos da estenose aórtica que são: a falta de ar (cansaço aos esforços) progressiva, a dor no peito (muito semelhante à dor de angina) e em casos mais extremos, os desmaios com perda momentânea da consciência.

É importante ressaltar que a estenose aórtica quando severa, ou seja, quando a área de abertura da válvula está muito reduzida, causa um aumento do risco de morte dos pacientes. Consequentemente, o tratamento precoce da estenose aórtica grave é muito importante para prevenir a ocorrência de morte e o surgimento de outras complicações. Se a estenose aórtica grave não for tratada, ela pode ocasionar uma progressiva dilatação do coração e o consequente comprometimento da sua função de bomba, levando a uma piora importante dos sintomas e ao aumento do risco de morte.

Tratamento – Até o início dos anos 2000, o único tratamento disponível para a estenose da válvula aórtica era a cirurgia de peito aberto, no qual se expunha o coração, se ressecava a válvula aórtica doente e se colocava uma prótese artificial (que poderia ser metálica ou feita de material biológico).

A partir dessa época, foi desenvolvido um método de implante por cateter de uma nova válvula aórtica. Inicialmente aplicado apenas em pacientes sem condições clínicas de serem submetidos à cirurgia convencional, esse novo método de tratamento foi progressivamente evoluindo e melhorando os seus resultados. Estudos clínicos comparando o implante por cateter com a cirurgia de troca da válvula demonstram resultados equivalentes entre os dois métodos de tratamento no que diz respeito à redução de mortalidade e melhora dos sintomas clínicos. Atualmente, o implante por cateter da válvula aórtica é aplicado em uma ampla gama de pacientes com estenose da válvula aórtica, com uma recuperação mais rápida e também com uma taxa de complicações menores do que se observa com a cirurgia de peito aberto, especialmente nos pacientes mais idosos.

Em resumo, o tratamento por cateter da estenose da válvula aórtica, desde que anatomicamente viável, é o tratamento de eleição da estenose grave da válvula aórtica por ser menos invasivo, ter uma menor taxa de complicações e possibilitar uma recuperação mais rápida dos pacientes.



 

Uma dúvida muito frequente é sobre o que é a angina. Se é uma doença cardíaca, como deve ser tratada?

Na verdade, a angina é um sintoma. É uma dor, geralmente, no lado esquerdo do peito ou na porção central do tórax, atrás do osso esterno. Normalmente, tem uma característica de aperto ou de peso. Mais raramente, pode se manifestar como uma queimação, muitas vezes se confundindo com um sintoma gástrico.

Classicamente, a angina surge quando a pessoa faz algum tipo de esforço físico – subir uma escada, acelerar o passo – e, tradicionalmente, alivia em poucos minutos, assim que a pessoa cessa a atividade que a provocou.

A angina é uma manifestação clínica de uma obstrução de alguma artéria coronária por uma placa de gordura. As artérias coronárias são aquelas que irrigam o músculo cardíaco. Quando o fluxo de sangue é diminuído pela existência de uma obstrução, o sinal de alerta que o coração emite é justamente a dor de angina.

Tratamento – Quando a pessoa começa a apresentar esse sintoma, é muito importante que ela procure consultar com um cardiologista para avaliar a extensão do problema e, eventualmente, definir qual o melhor tratamento a ser empregado, que pode ser apenas com medicações ou com a realização de um exame invasivo, chamado cateterismo cardíaco.

O cateterismo cardíaco vai identificar aonde são as obstruções, se comprometem uma ou mais coronárias, e, eventualmente, definir se há necessidade de um tratamento diferente, que pode ser a angioplastia com colocação de stent

s coronários (próteses metálicas que mantêm o vaso aberto) ou, numa minoria de pacientes, a necessidade de fazer uma cirurgia de peito aberto com a colocação de pontes de safena.

Em alguns casos, geralmente naqueles pacientes que tiveram dor em um esforço físico e não procuraram um cardiologista para investigar, pode se instalar um quadro de angina instável – quando a dor começa a aparecer cada vez mais com menos quantidade de esforço, com maior frequência e maior intensidade ou até com a pessoa parada, sem fazer nenhuma atividade físico. Nesses casos, é preciso ação imediata, o paciente deve procurar uma emergência de algum hospital, pois eventualmente, pode haver a necessidade de se realizar um cateterismo de urgência devido à gravidade do quadro.

O reconhecimento desse sintoma e o seu tratamento adequado impedem que o quadro possa progredir para um infarto agudo do miocárdio.




 

O fumo representa uma das principais causas das doenças cardiovasculares. Estima-se que uma a duas mortes, entre cada 10 que ocorrem no mundo anualmente, sejam devidas ao hábito de fumar. Existe um impacto negativo do tabagismo sobre alguns fatores de risco cardiovasculares, como a intolerância aos carboidratos e os baixos níveis do colesterol protetor, o chamado HDL colesterol.

Outro fator importante é o efeito potencializador do fumo sobre os demais fatores de risco para doença cardiovascular, como hipertensão, diabete e níveis elevados do colesterol ruim (o LDL colesterol). Quando a pessoa fuma e tem um desses fatores de risco adicionalmente, o risco de desenvolver complicações cardiovasculares sérias aumenta em quatro vezes. Se, por outro lado, a pessoa fuma e possui dois desses fatores de risco, a chance de um evento grave cardiovascular aumenta em oito vezes.

Além das doenças cardíacas, como infarto e angina, o tabagismo também provoca o acidente vascular cerebral (AVC), os aneurismas de aorta e as obstruções das artérias dos membros inferiores.

É importante ressaltar que, mesmo pessoas que fumam pouco – menos de cinco cigarros por dia –, também apresentam maior risco de desenvolver essas doenças. E mais importante ainda: existe uma correlação entre o número de cigarros que se fuma por dia e o aumento do risco cardiovascular, ou seja, quanto maior o número de cigarros consumidos por dia, maior o risco de infarto e AVC.

A cessação do fumo é extremante benigna para o indivíduo. O risco cardiovascular cai ano após ano após a interrupção do hábito de fumar. Estima-se que após um ano, pelo menos, de abstinência do tabagismo, exista uma redução de 50% do risco cardiovascular. E, ao final de 10 anos de abstinência do fumo, esse risco cardiovascular se iguala ao risco de indivíduos que nunca fumaram.

No Brasil, felizmente, graças às campanhas de conscientização, houve uma redução de 40% na taxa de fumantes nos últimos anos. Em 2006, aproximadamente 15% da população brasileira fumava. Já em 2018, esse número caiu para menos de 10%. Lamentavelmente, algumas capitais, como Porto Alegre, Curitiba e São Paulo, ainda apresentam uma porcentagem de fumantes acima da média nacional de 10%.

Parar de fumar não é uma tarefa fácil, mas deve ser perseguida com afinco, pois é capaz de reduzir de maneira expressiva o risco cardiovascular. A fim de conseguir vencer a dependência química e física causada pelo hábito de fumar são fundamentais o acompanhamento médico, o uso de medicações e outras formas de tratamento como, por exemplo, a terapia cognitiva comportamental.

O tabagismo ainda é um problema de saúde pública no nosso país e deve ser combatido de maneira intensiva. A conscientização dos riscos do tabagismo, tanto em relação às doenças cardiovasculares quanto aos cânceres, deve ser enfatizada à toda a população, e auxílio deve ser prestado àqueles que fumam e desejam parar de fumar, a fim de que a ocorrência das doenças cardiovasculares associadas ao uso do tabaco possa ser reduzida expressivamente no Brasil.

 

Artigo publicado no site do Jornal do Comércio em 28/08/20.

 


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