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O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes analisa outro estudo recente que coloca a aspirina no foco do debate sobre seu uso na prevenção primária de eventos cardiovasculares.

Outra notícia recente e importante foi a publicação (também na revista científica JAMA) de um relatório da Força Tarefa de Serviços de Prevenção dos Estados Unidos (US Preventive Services Task Force – USPSTF) sobre o papel da aspirina na prevenção primária de eventos cardiovasculares, como o infarto do coração e o acidente vascular cerebral (AVC).

Após uma extensa e criteriosa revisão de todas as evidencias científicas existentes na literatura médica especializada, a recomendação dessa Força Tarefa é de que a aspirina não deve ser prescrita de rotina para pacientes sem eventos cardiovasculares prévios e nem submetidos à cirurgia de ponte de safena ou a angioplastia por cateter com implante de stents, ou seja, como estratégia de prevenção primária.

Nesses pacientes, o efeito positivo da aspirina em reduzir o infarto e o AVC foi praticamente anulado por uma maior ocorrência de sangramentos graves (e por vezes fatais) nessa população. Dessa forma, salvo em situações muito particulares, não existe indicação do uso da aspirina para prevenir um primeiro evento cardiovascular (a chamada prevenção primária). Consequentemente, o hábito de muitas pessoas saudáveis de tomar aspirina regularmente para evitar um infarto, além de não trazer benefícios, pode ser deletério.

Por outro lado, já está bem estabelecido que o uso da aspirina em baixas doses (75 a 100 mg/dia) reduz de maneira expressiva a ocorrência de infarto e AVC naqueles pacientes que já apresentaram estes eventos previamente ou que são portadores de ponte de safena ou stents coronários. Em outras palavras, a aspirina é um medicamento extremamente eficaz na chamada prevenção secundária.



O Dr. Gilberto Lohorgue Nunes segue respondendo algumas dúvidas que são enviadas por suas redes sociais. Neste artigo, o médico cardiologista explica como acontece a estenose aórtica.

 

A válvula aórtica conecta o coração à artéria aorta, que é a maior artéria do nosso corpo. A estenose (ou estreitamento) da válvula aórtica é provocada por um processo degenerativo dos folhetos da válvula.

Inicialmente, há um acúmulo de gordura nos folhetos seguido do surgimento de fibrose e provocando o seu espessamento. Posteriormente, existe acúmulo de cálcio nos folhetos e na sua junção, provocando uma redução gradativa da área de abertura da válvula (estenose).

Quando a área de abertura da válvula aórtica chega a um ponto crítico (geralmente < 1,0 cm2), começam a surgir os sintomas típicos dessa doença (cansaço ou falta de ar progressiva aos esforços, dor no peito semelhante à angina e, em casos mais avançados, desmaios).

Esse processo é lento, não causando sintomas na fase inicial e normalmente se manifestando clinicamente a partir da sexta década de vida. Em alguns pacientes, nos quais a válvula aórtica é composta de dois folhetos e não de três como na maioria das pessoas, a progressão da estenose tende a ser mais rápida com o surgimento mais precoce dos sintomas.

Quando a estenose aórtica é severa e provoca sintomas, existe indicação de tratamento ou por cirurgia ou por cateter, pois pacientes nesse estágio da doença apresentam um risco crescente de morte nos anos subsequentes se não tratados.



A aterosclerose (depósito de gordura na parede do vaso) das artérias coronárias pode se manifestar de maneira súbita, como um quadro agudo de dor no peito intensa. Essa instabilização é causada pela formação de um coágulo sobre a placa de gordura, levando a uma redução abrupta do fluxo de sangue pela coronária.

Se o coágulo não interrompe completamente o fluxo de sangue, mas o suficiente para causar uma elevação das enzimas cardíacas (sinalizando a morte de algumas fibras do músculo cardíaco), está configurado um quadro de infarto sem supradesnível do segmento ST (ou infarto incompleto), pois a maior parte do músculo cardíaco irrigado por esta coronária sobrevive.

Esse foi o quadro apresentado recentemente pelo Gen. Santos Cruz, ex-ministro do atual governo e potencial candidato à Presidência da República. Como é recomendado pelas diretrizes médicas, o Gen. Santos Cruz foi submetido a um cateterismo cardíaco de urgência para identificar qual a coronária comprometida seguido da desobstrução da artéria afetada e do implante de um stent (pequena prótese metálica).

Essa abordagem permite uma rápida e praticamente completa recuperação do paciente e evita danos maiores ao músculo cardíaco. Nas fotos, um exemplo de um paciente com quadro clínico semelhante e que tratamos recentemente com o implante de um stent coronário.



Na clínica de cardiologia, recebemos perguntas por meio de diversos canais – e-mail, aplicativos de mensagens como o WhatsApp, além das nossas redes sociais. Esta é mais uma das dúvidas que o cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes esclarece.

A miocardiopatia dilatada, popularmente referida como “coração grande”, é uma das formas da doença chamada de insuficiência cardíaca. Na miocardiopatia dilatada, existe uma dilatação (aumento de tamanho) das cavidades cardíacas, o que provoca uma redução do desempenho do coração como bomba e o surgimento dos sintomas de cansaço ou falta de ar aos esforços físicos.

As principais causas de comprometimento da miocardiopatia dilatada são as obstruções das coronárias (que causam angina ou infarto), as doenças das válvulas cardíacas (estenose ou insuficiência) e os quadros de infecção ou inflamação do músculo cardíaco (miocardites, doença de Chagas).

Existe uma série de medicações que ajudam a melhorar o desempenho do coração como bomba e que também são capazes tanto de aliviar os sintomas da insuficiência cardíaca quanto de prolongar a sobrevida dos pacientes. Entretanto, também é fundamental identificar a causa da disfunção do músculo cardíaco porque, em muitos casos, resolvendo o problema de base (por exemplo, uma válvula funcionando inadequadamente) é possível minimizar a disfunção do músculo cardíaco e melhorar significativamente o desempenho do coração como bomba.



O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes esclarece que o problema não chega a ser uma doença do coração.

Espessamento valvar aórtico significa o espessamento dos folhetos da válvula aórtica. Pode ser detectado durante a realização do ecocardiograma (ultrassom do coração).

 

 

Essa alteração dos folhetos valvares não chega a representar uma doença porque faz parte do processo natural de envelhecimento da pessoa. Dessa forma, o espessamento dos folhetos não tem maior significado e, consequentemente, não necessita de tratamento.

 

 

 

 

Entretanto, se esse espessamento estiver associado a uma redução do grau de abertura da válvula aórtica, a situação muda, pois, nesse caso, estamos frente a um quadro de estenose da válvula aórtica.



O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes ressalta que o tratamento da disfunção ventricular se assemelha ao dedicado para os casos de coração fraco ou funcionando 30%, ou ainda em casos de insuficiência cardíaca. Confira as recomendações.

A disfunção ventricular se caracteriza pela incapacidade do ventrículo esquerdo em desempenhar de maneira adequada sua principal função, ou seja, bombear o sangue para todo o corpo. A consequência desse desempenho inadequado do músculo cardíaco é o desenvolvimento de um quadro de insuficiência cardíaca, caracterizado pelo surgimento de falta de ar ou cansaço durante o esforço físico.

Quando a insuficiência cardíaca é detectada, torna-se extremamente importante identificar a sua causa, pois em muitos casos o tratamento da doença de base (como hipertensão arterial, a doença das válvulas, a obstrução das artérias coronárias, entre outras) pode melhorar o desempenho do ventrículo esquerdo e, consequentemente, aliviar o quadro clínico do paciente.

Além disto, o tratamento da insuficiência cardíaca envolve, também, a utilização de uma série de medicamentos extremamente eficazes no alívio dos sintomas, sendo que alguns deles são capazes de prolongar a vida mesmo de pacientes com quadros clínicos mais graves. O emprego sistemático dessas medicações nos pacientes portadores de insuficiência cardíaca mudou radicalmente a história natural dessa doença, tornando o transplante cardíaco uma opção apenas nos indivíduos que não apresentam melhora da situação clínica apesar do tratamento médico otimizado.

 

Finalmente, outro grande avanço no arsenal terapêutico para tratamento da insuficiência cardíaca foi o desenvolvimento do implante dos ressincronizadores e dos desfibriladores cardíacos. Esses dispositivos semelhantes aos marca-passos, além de controlar a frequência cardíaca, são capazes de melhorar a sincronia de contração do coração e o desempenho do músculo cardíaco (caso dos ressincronizadores). Já os desfibriladores detectam a presença de arritmias ventriculares graves e disparam pequenos choques elétricos no músculo cardíaco, evitando a ocorrência de parada cardíaca e morte súbita.



O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes esclarece sobre os tratamentos para esse problema.

Sim, existem tratamentos muito eficazes.

A doença das artérias carótidas é causada pela aterosclerose, que consiste no acúmulo de gordura na parede da artéria carótida ocasionando graus variáveis de estreitamento da luz do vaso. Dependendo do grau de estreitamento e das características da placa de gordura, o paciente pode apresentar um quadro de isquemia (falta de irrigação) da região do cérebro irrigada por esta artéria, o chamado Acidente Vascular Cerebral (AVC). Esse processo é semelhante ao que ocorre nas artérias coronárias e que pode provocar um infarto do miocárdio.

Normalmente, a indicação para tratamento da estenose da artéria carótida tanto por cateter (com o implante dos stents) quanto por meio da cirurgia é reservada aos pacientes que apresentam estenoses (estreitamentos) graves (acima de 90%) e que já tiveram um acidente vascular cerebral (AVC) relacionado a esse estreitamento. Além disto, os pacientes que apresentam estenoses graves em ambas as artérias carótidas (direita e esquerda) também têm indicação de serem submetidos a esses procedimentos.

Já nos pacientes que não apresentam as condições citadas anteriormente, o tratamento é o mesmo que se usa para aterosclerose em outros territórios, ou seja, medicamentos como aspirina, remédios que baixam o colesterol e que controlam a pressão arterial, além do adequado controle do diabetes.



O cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes responde a mais uma pergunta frequente que chega pelos canais de comunicação da nossa clínica de cardiologia.

A insuficiência cardíaca é tratada de duas maneiras. Primeiro: tentando identificar se existe uma razão pela qual essa insuficiência se iniciou – se é uma doença de coronária, se é algum problema de válvula ou se há uma infecção do músculo cardíaco, por exemplo. Esse diagnóstico é importante, pois em alguns casos é possível tratar a causa básica da insuficiência cardíaca e, consequentemente, melhorar o quadro clínico do paciente.

A segunda forma de tratamento da insuficiência cardíaca baseia-se na utilização de medicamentos que comprovadamente melhoram tanto a qualidade de vida quanto prolongam a vida do paciente.

Hoje em dia, existe uma série de remédios eficazes para se prolongar a vida mesmo de pacientes que têm quadros de dilatação cardíaca e de insuficiência cardíaca mais importantes.

Por causa da eficácia dessas medicações, o transplante cardíaco, cada vez mais, tem se tornado um tratamento de exceção, justamente em pacientes nos quais não existe uma resposta adequada aos medicamentos.

Outras formas de tratamento da insuficiência cardíaca incluem o implante dos ressincronizadores, dispositivos parecidos com marca-passos e que promovem uma melhora da sincronia de contração do coração, melhorando também o desempenho do músculo cardíaco. Finalmente, existe ainda o implante de desfibriladores, uma espécie de marca-passo que, na eventualidade do paciente ter uma arritmia cardíaca grave, esses dispositivos disparam pequenos choques elétricos fazendo com que o coração retome o ritmo normal.



Na clínica de cardiologia, recebemos perguntas por meio de diversos canais – e-mail, aplicativos de mensagens como o WhatsApp, além das nossas redes sociais. Esta é mais uma das dúvidas que o cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes esclarece.

Existe uma medida de desempenho do coração como bomba, que é chamada de fração de ejeção. Em corações que contraem normalmente, a fração de ejeção situa-se acima de 50%.

Se uma pessoa tem uma fração de ejeção de 30%, significa que ela teve algum dano no músculo cardíaco, ou seja, esse músculo cardíaco não tem o funcionamento normal. Este “enfraquecimento” do músculo cardíaco provoca uma progressiva dilatação das cavidades cardíacas, levando a um quadro de insuficiência cardíaca (que é caracterizada por falta de ar ou cansaço ao fazer esforços).

Essa situação pode se dar por uma série de fatores. As principais causas de comprometimento da contração do coração ocasionando a redução da fração de ejeção são as obstruções das coronárias (que causam angina ou infarto), as doenças das válvulas cardíacas (estenose ou insuficiência) e os quadros de infecção ou inflamação do músculo cardíaco (miocardites).

Existe uma série de medicações que ajudam a melhorar o desempenho do coração como bomba. Entretanto, também é fundamental identificar a causa da disfunção do músculo cardíaco porque, em muitos casos, se resolvendo o problema de base (por exemplo, uma válvula funcionando inadequadamente) é possível reverter a disfunção do músculo cardíaco e normalizar a fração de ejeção.

E “coração fraco” tem cura?

Esse termo leigo – coração fraco – significa, comumente, que existe um quadro de insuficiência cardíaca. Como descrito anteriormente, a insuficiência cardíaca é provocada por um “enfraquecimento” do músculo cardíaco e pela dilatação das cavidades cardíacas, de maneira que o desempenho do coração como bomba fica prejudicado.

É possível reverter essa situação?

Isso vai depender, basicamente, da razão pela qual o coração tem um déficit de contração. Por exemplo: se há uma estenose da válvula aórtica, muitas vezes, é possível após a troca da válvula se reverter parcial ou totalmente esse quadro de disfunção do músculo cardíaco.

É importante frisar que, atualmente, existe uma série de medicações capazes não só de controlar os sintomas de insuficiência cardíaca (melhorando a qualidade de vida dos pacientes) como de prolongar a vida dessas pessoas.

Devido ao grande avanço no tratamento medicamentoso da insuficiência cardíaca, hoje em dia o transplante cardíaco é realizado com menos frequência, apenas em casos nos quais o tratamento clínico mostra-se incapaz de controlar os sintomas do paciente.



O médico cardiologista Gilberto Lahorgue Nunes destaca que, inicialmente, é importante esclarecer que o músculo cardíaco é irrigado por artérias e não por veias. Confira. 

Em primeiro lugar é bom lembrar que o músculo cardíaco é irrigado por artérias e não por veias. Essas artérias são chamadas de artérias coronárias, que têm esse nome porque elas lembram uma coroa de espinhos envolvendo a superfície do músculo cardíaco.

Estenose grave da artéria coronária direita.

O processo de obstrução dessas artérias se dá devido a uma doença chamada aterosclerose, que é a deposição gradual de gordura na parede dos vasos. Isso faz com que, inicialmente, essa parede fique mais espessada e, posteriormente, comece a desenvolver áreas de obstrução, que vão crescendo ao longo do tempo, até causar uma restrição ao fluxo de sangue. Ou seja, reduzindo a quantidade de sangue e oxigênio que chega ao músculo cardíaco, irrigado por essa coronária que apresenta essa obstrução.

O processo de aterosclerose começa muito cedo na vida. Existem evidências de crianças e adolescentes já com pequenas placas de gordura nas artérias coronárias no seu estágio inicial nessa faixa etária.

Na dependência de fatores de risco que podem acelerar esse processo, tais como fumo, obesidade, presença de colesterol alto, pressão alta e diabete, essa progressão da obstrução pode continuar ao longo dos anos, levando ao surgimento de sintomas – dor no peito ou cansaço desproporcional ao se fazer uma atividade física. No extremo dessa situação, podem levar a uma oclusão total da coronária, causando um quadro de infarto agudo do miocárdio.


Dr. Gilberto Nunes | Clínica Cardiologista Porto Alegre

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