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As doenças cardiovasculares, especialmente o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral, representam a principal causa de morte em adultos no Brasil.
O que se tem observado em anos recentes é que as doenças do coração, principalmente a angina e o infarto do miocárdio, têm acometido pacientes cada vez mais jovens.
Tradicionalmente, esse tipo de doença ocorre em pessoas após a quinta ou sexta década de vida. Entretanto, provavelmente relacionado a hábitos não saudáveis, vida atribulada, falta de condições de fazer exercícios físicos e de manter uma dieta adequada, tem-se visto pacientes cada vez mais jovens chegando às emergências com quadro de angina aguda, ou angina instável, ou mesmo com infarto do miocárdio.

Esta semana, o secretário especial de Cultura do governo federal, Mario Frias, de 49 anos, teve a repetição de um quadro agudo de isquemia coronariana, tendo sido submetido a um novo cateterismo cardíaco para verificação do estado das artérias coronárias. É a segunda vez que ele é hospitalizado para esse tipo de procedimento. Anteriormente, em dezembro, ele havia feito cateterismo para colocação de dois stents.

O alerta que se faz sobre a importância de prevenir a ocorrência dessas doenças por meio de hábitos saudáveis de alimentação, exercício físico regular, evitar o tabagismo. E, principalmente, se houver algum outro fator de risco associado como pressão alta, níveis elevados de colesterol, ou diabetes, fazer um controle estrito dessas doenças a fim de se minimizar o risco de no futuro desenvolver um quadro de infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral.



O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes esclarece sobre o tempo de duração do cateterismo quando para diagnóstico ou tratamento

Cateterismo cardíaco é o nome genérico que se dá para todos os procedimentos em que o coração é acessado por intermédio da introdução de cateteres, com a punção de uma artéria ou uma veia.

Quanto tempo demora um cateterismo?
Na grande maioria dos casos, quando se fala em cateterismo cardíaco, está se referindo ao estudo realizado das artérias coronárias visando à detecção de obstrução ou de entupimento desses vasos.

De modo geral, o cateterismo é um exame bastante rápido, realizado em torno de 15 a 20 minutos. No caso do cateterismo ser feito para tratamento de uma doença cardíaca, demora um pouco mais, o tempo podendo variar de 30 minutos a duas ou três horas, dependendo da complexidade do caso a ser tratado.

Saiba mais – Hoje em dia, o cateterismo é utilizado basicamente em adultos para se verificar a presença ou não de obstruções nas artérias coronárias, que são aquelas que irrigam o músculo cardíaco. Diagnósticos de outras doenças, como doenças de válvulas cardíacas podem ser realizados de maneira menos invasiva, por meio de exames como ecocardiograma e outros. Mas para detectar obstruções em coronárias, o cateterismo cardíaco ainda é o procedimento padrão outro, o exame mais recomendado para definição da anatomia dessas obstruções e, consequentemente, para a seleção do tratamento.

O cateterismo cardíaco é um procedimento de rotina, com baixíssimo risco de complicações. O risco de complicações graves, como morte, infarto, durante a realização do cateterismo é abaixo de 1%. Pode ser realizado por duas vias. A via utilizada há mais tempo é através de uma punção de uma artéria localizada na região da virilha (a femoral). Também pode ser feito através da punção de uma artéria localizada no punho, que é a artéria radial.

São várias as vantagens da realização pelo acesso radial em comparação com o feito pela virilha. Em primeiro lugar, o paciente tem a possibilidade de imediatamente após o procedimento levantar da mesa de exames e caminhar, sem necessidade de manter um repouso na cama, deitado ou com a perna imóvel, como acontece com o cateterismo pela via femoral.

Segundo, e mais importante de tudo e que já está demonstrado, é que ao se realizar o cateterismo pelo punho reduz significativamente a chance de complicações no local da punção da artéria, como hematomas ou, mais sérias, como a fístula arteriovenosa, o pseudoaneurisma, ou mesmo a perfuração de um vaso. Ou seja, é um exame mais seguro se realizado pelo punho do que pela virilha.
É um exame fundamental para definição dos pacientes que têm quadros de angina e é salvador de vidas para aqueles indivíduos que se apresentam com quadro agudo de infarto do miocárdio.



O cateterismo cardíaco é o nome genérico que se dá aos procedimentos invasivos cardiológicos realizados com a introdução de cateteres (pequenos tubos) no sistema circulatório. O cateterismo cardíaco pode ser classificado como diagnóstico ou terapêutico.

No cateterismo diagnóstico, o exame é feito visando confirmar ou não a suspeita da presença de uma doença cardíaca (obstrução de coronárias, mau funcionamento de válvulas cardíacas, etc.). Na maioria dos casos, esse exame é feito de maneira ambulatorial, com um tempo de observação posterior no hospital variando de três a cinco horas. Normalmente, o paciente pode retornar às suas atividades normais no dia seguinte ao procedimento, salvo se for detectada a presença de algum comprometimento cardíaco mais grave.

No cateterismo terapêutico, o que se procura é tratar uma doença cardíaca previamente diagnosticada por meio de técnicas menos invasivas do que a cirurgia cardíaca. Esse tratamento pode envolver a desobstrução de uma coronária com o implante dos stents, a correção de um problema envolvendo alguma das válvulas cardíacas ou a correção de um defeito congênito do coração. Se o tratamento por cateter for bem sucedido (o que ocorre em mais de 90% dos casos), o tempo de internação varia de um a cinco dias, e o retorno às atividades usuais é gradual, sendo que no máximo em 30 dias o paciente estará  liberado para retomar a sua vida normal.



O cateterismo cardíaco pode ser realizado por duas técnicas: puncionando-se uma artéria no punho (via radial) ou na virilha (via femoral).

Na técnica femoral, é feita uma anestesia local na região da virilha e, a seguir, puncionada a artéria femoral. Através dessa punção, os cateteres são avançados até o coração.

Após o término do procedimento, os cateteres são retirados e é realizada uma compressão manual por 15 minutos a fim de estancar o sangramento.

Posteriormente, é necessário que o paciente permaneça deitado com a perna imóvel por um período em torno de quatro a cinco horas. Se os anticoagulantes forem utilizados durante a intervenção, é necessário aguardar um período de duas a quatro horas para poder retirar o cateter da virilha. O tempo de repouso no leito necessário, nesse caso, pode chegar a seis horas.

Atualmente, o cateterismo pela virilha, geralmente, só é utilizado em caso de impossibilidade de realização do procedimento pela via radial ou quando há necessidade de puncionar uma veia para estudar o lado direito do coração. A razão da preferência de acesso pelo punho é a menor ocorrência de complicações vasculares, o menor tempo de recuperação (em torno de três horas) e o maior conforto proporcionado ao paciente após o exame (visto que o paciente pode passar o período de observação sentado e liberado para caminhar imediatamente, não havendo a necessidade de repouso no leito pós-procedimento).



Ótima notícia para os pacientes portadores da doença cardíaca estenose da válvula aórtica.

No dia 4 de fevereiro, a Agência Nacional de Saúde (ANS) incluiu no seu rol de procedimentos o tratamento desta doença através do implante por cateter de uma válvula nova, o chamado Implante Transcateter de Válvula Aórtica (TAVI). Este é um procedimento menos invasivo do que a cirurgia tradicional de peito aberto, pois é realizado sem cortes, muitas vezes apenas com anestesia local e com curto tempo de internação – de uma a dois dias.

Com a inclusão do TAVI no rol da ANS, os planos de saúde passam a ser obrigados a pagar por esse procedimento, o que não vinha acontecendo apesar do implante por cateter já ser consagrado e estar sendo realizado no Brasil há mais de 10 anos.

A única ressalva a ser feita é que a ANS aprovou esse procedimento apenas para pacientes com idade igual ou maior que 75 anos e que apresentem alto risco ou contraindicação à realização da cirurgia convencional.

Já existem evidências científicas sólidas de que esse procedimento apresenta resultados iguais ou até superiores à cirurgia mesmo em pacientes com idade inferior a 75 anos e com risco cirúrgico intermediário ou baixo. Assim, o implante por cateter tem sido aplicado de forma rotineira nesse grupo estendido de pacientes tanto nos Estados unidos quanto na Europa.

Essa decisão da ANS deve ser celebrada! Certamente representa o primeiro passo na direção de expandir esse procedimento por cateter para um grupo mais abrangente de pacientes portadores de estenose da válvula aórtica



O ano de 2020 foi extremamente desafiador para todos devido à pandemia pela Covid-19. Os grandes congressos médicos foram todos suspensos na sua forma presencial e transformados em eventos transmitidos exclusivamente pela internet, com os palestrantes e coordenadores fazendo as suas apresentações de casa. Apesar dessas limitações, vários estudos importantes na área da Cardiologia foram apresentados e, posteriormente, publicados gerando intensa repercussão na comunidade médica.

Um desses estudos foi o REDUCE. Nesse ensaio clínico randomizado, mais de 13 mil pacientes que faziam tratamento com medicações consagradas para colesterol elevado (as chamadas estatinas) foram aleatoriamente alocados (randomizados) para terapia com ácidos graxos ômega-3 (popularmente conhecidos como óleo de peixe) ou placebo.

O objetivo dessa pesquisa era determinar se os ômega-3 seriam capazes de reduzir as complicações cardiovasculares (como morte, infarto, acidente vascular cerebral entre outras) em pacientes com o seu colesterol já adequadamente tratado com estatinas.

Apesar de abordagens anteriores terem sugerido um benefício adicional do uso do óleo de peixe nesses pacientes, nesse grande estudo o uso desses agentes não foi capaz de reduzir a ocorrência das complicações cardiovasculares, o que colocou em dúvida a utilidade dessa classe de medicamentos para redução do risco de complicações em pacientes com colesterol elevado.

Outro estudo interessante foi o LoDoCo2, no qual mais de 5,5 mil pacientes com quadro de doença coronariana crônica (ou seja, presença de placas de gordura nas artérias coronárias que não causam infarto ou angina instável) foram randomizados para o uso da colchicina (uma medicação anti-inflamatória usada no tratamento das crises aguda de gota) ou placebo.

Os resultados dessa pesquisa mostram que o emprego da colchicina esteve associado a uma redução significativa da ocorrência de infarto, da necessidade de realização de procedimentos invasivos (como o implante de stent ou a cirurgia de ponte de safena) e, também, da mortalidade por causas cardiovasculares. Esses achados sugerem que a colchicina pode melhorar a evolução desses pacientes quando associada ao tratamento padrão.

Em relação ao melhor tratamento antitrombótico em pacientes submetidos ao implante de válvula aórtica por cateter, um importante ensaio clínico foi apresentado. O estudo POPular TAVI demonstrou que, em pacientes que já usam anticoagulantes (medicações que impedem a coagulação do sangue), não há necessidade de acrescentar um medicamente que bloqueie a ação das plaquetas (clopidogrel). Já em pacientes que não usam anticoagulantes, a indicação é usar apenas a aspirina isoladamente após o procedimento, pois a adição do clopidogrel, além de não oferecer um benefício adicional, ainda aumenta o risco da ocorrência de sangramentos.

Finalmente, um outro ensaio clínico apresentado em 2020 confirmou que dispomos de uma nova classe de medicamentos, normalmente usada para o tratamento de diabéticos, que pode melhorar a evolução de pacientes com insuficiência cardíaca (“coração dilatado”). O estudo EMPEROR-Reduced envolveu mais de 7 mil pacientes com insuficiência cardíaca e tratamento adequado com medicações com eficácia comprovada e que foram randomizados para o uso da medicação empaglifozina ou placebo.

O uso da empaglifozina reduziu de forma substancial a ocorrência de morte cardiovascular ou internação por descompensação da insuficiência cardíaca. Essa pesquisa confirmou os resultados de um estudo anterior (DAPA-HF) que havia demonstrado que uma medicação similar (dapaglifozina) reduz em 31% o risco de morte nesses pacientes, em comparação com o placebo.

Esses resultados são extremamente animadores, pois adicionam mais uma classe de medicamentos capaz de reduzir a mortalidade e as descompensações dos pacientes com insuficiência cardíaca, reduzindo a necessidade de intervenções mais invasivas, como o transplante cardíaco.



 

A válvula aórtica é uma válvula cardíaca que conecta o coração com a maior artéria do organismo, que é a artéria aorta. Em condições normais, essa válvula permite uma passagem ampla de sangue entre o ventrículo esquerdo e a aorta.

Com o envelhecimento, algumas pessoas podem desenvolver um processo degenerativo causado pelo espessamento dos folhetos, seguido da deposição de gordura e cálcio, provocando a fusão (aderência) de um folheto ao outro, o que provoca uma redução gradual e progressiva da abertura da válvula aórtica. Esse processo é chamado de estenose degenerativa da válvula aórtica.

Quando a redução da área de abertura da válvula aórtica é muito significativa (causando um grande dificuldade à saída de sangue do coração para a artéria aorta), começam a surgir os sintomas clássicos da estenose aórtica que são: a falta de ar (cansaço aos esforços) progressiva, a dor no peito (muito semelhante à dor de angina) e em casos mais extremos, os desmaios com perda momentânea da consciência.

É importante ressaltar que a estenose aórtica quando severa, ou seja, quando a área de abertura da válvula está muito reduzida, causa um aumento do risco de morte dos pacientes. Consequentemente, o tratamento precoce da estenose aórtica grave é muito importante para prevenir a ocorrência de morte e o surgimento de outras complicações. Se a estenose aórtica grave não for tratada, ela pode ocasionar uma progressiva dilatação do coração e o consequente comprometimento da sua função de bomba, levando a uma piora importante dos sintomas e ao aumento do risco de morte.

Tratamento – Até o início dos anos 2000, o único tratamento disponível para a estenose da válvula aórtica era a cirurgia de peito aberto, no qual se expunha o coração, se ressecava a válvula aórtica doente e se colocava uma prótese artificial (que poderia ser metálica ou feita de material biológico).

A partir dessa época, foi desenvolvido um método de implante por cateter de uma nova válvula aórtica. Inicialmente aplicado apenas em pacientes sem condições clínicas de serem submetidos à cirurgia convencional, esse novo método de tratamento foi progressivamente evoluindo e melhorando os seus resultados. Estudos clínicos comparando o implante por cateter com a cirurgia de troca da válvula demonstram resultados equivalentes entre os dois métodos de tratamento no que diz respeito à redução de mortalidade e melhora dos sintomas clínicos. Atualmente, o implante por cateter da válvula aórtica é aplicado em uma ampla gama de pacientes com estenose da válvula aórtica, com uma recuperação mais rápida e também com uma taxa de complicações menores do que se observa com a cirurgia de peito aberto, especialmente nos pacientes mais idosos.

Em resumo, o tratamento por cateter da estenose da válvula aórtica, desde que anatomicamente viável, é o tratamento de eleição da estenose grave da válvula aórtica por ser menos invasivo, ter uma menor taxa de complicações e possibilitar uma recuperação mais rápida dos pacientes.



 

Infarto do miocárdio é a oclusão aguda ou súbita de uma coronária – artéria que irriga uma parte do músculo cardíaco –, levando a uma isquemia aguda, ou seja, à falta de oxigenação desse tecido do coração. Essa falta de oxigenação aguda pode ocasionar a morte desse tecido caso não seja instituído um tratamento precoce.

Geralmente a dor do infarto tem características e localização muito parecidas com a dor de angina, ou seja, geralmente é do lado esquerdo do peito ou na porção central do tórax, atrás do osso esterno. Ela é em peso, aperto ou queimação, mas com uma intensidade muito superior a dor de angina. Além disso, frequentemente a dor de infarto está associada ao suor frio, náuseas e, eventualmente, vômitos.

Ao perceber os sintomas – dor prolongada e intensa, surgindo em repouso –, deve-se entrar em contato imediatamente com o serviço de emergência para ser atendido, de preferência em casa, e ser levado de ambulância para o hospital. Isso porque, na grande maioria dos casos, as complicações mais imediatas do infarto são devido às arritmias cardíacas, que podem levar a uma parada cardíaca. Então, se essa arritmia acontece dentro de uma ambulância equipada, é muito mais fácil revertê-la. Evidentemente que, se o auxílio de uma ambulância for demorado e for mais rápido acessar o atendimento com um veículo próprio, essa alternativa deve ser implementada.

Chegando ao hospital, é feito um eletrocardiograma para confirmar o diagnóstico de infarto. Também são feitas medicações que bloqueiam as plaquetas e afinam um pouco o sangue. Na sequência, esse paciente deve ser submetido a um cateterismo cardíaco em caráter de urgência, para identificar a artéria responsável pelo infarto e proceder a desobstrução da mesma, com a realização da angioplastia e da colocação de próteses metálicas, os stents.

Esse tipo de tratamento salva vidas, diminuindo de maneira expressiva a mortalidade associada à fase aguda do infarto do miocárdio.

Se a pessoa mora em uma região onde não há hospital equipado para realizar o cateterismo cardíaco de urgência e a angioplastia, esse paciente deve ser submetido no ambiente hospitalar a um tratamento com trombolíticos. Essa medicação é aplicada na veia e dissolve o coágulo que se forma em cima da placa de gordura, permitindo uma passagem parcial de sangue, aliviando os sintomas e permitindo que o músculo não morra, como aconteceria se a coronária permanecesse obstruída. Esse tipo de tratamento serve como ponte para posterior realização do cateterismo cardíaco – em 24/48 horas no máximo, o paciente deve ser transferido para um centro mais equipado e ser submetido ao cateterismo e à angioplastia.


Dr. Gilberto Nunes | Clínica Cardiologista Porto Alegre

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