A miocardiopatia hipertrófica é uma doença de fundo genético e que causa um espessamento importante (hipertrofia) das paredes do coração, especialmente do ventrículo esquerdo (que é a cavidade que bombeia sangue oxigenado na artéria aorta).
Esse espessamento do músculo cardíaco frequentemente é mais acentuado no septo interventricular (que é a parede que separa o ventrículo esquerdo do ventrículo direito) e, nesses casos, essa hipertrofia é chamada de assimétrica.
Quando o coração contrai para bombear sangue para a aorta, o septo fica ainda mais grosso e pode causar uma obstrução dinâmica da via de saída do ventrículo esquerdo, reduzindo a quantidade de sangue que é ejetado para a aorta. Essa alteração provoca os sintomas clássicos da doença, quais sejam, falta de ar e cansaço excessivo ao realizar esforços físicos, dor no peito (tipo angina) e desmaios (por falta de oxigenação adequada do cérebro). Em alguns casos extremos, existe o risco de ocorrência de morte súbita.
Em pacientes nos quais o grau de obstrução é muito acentuado causando sintomas que não respondem ao tratamento com remédios, é possível realizar um tratamento por cateter. A forma clássica desta abordagem menos invasiva do que a cirurgia de peito aberto (que no passado era a única opção de tratamento nesses casos) consiste na injeção de álcool absoluto (100 graus) nos vasos coronários que irrigam a porção hipertrofiada do septo visando criar uma pequena área de infarto localizado.
Apesar de ser bastante eficaz no alívio dos sintomas e na redução do grau de obstrução, devido à toxicidade do álcool absoluto, eventualmente, podem surgir complicações, como o surgimento de bloqueios do sistema de condução elétrica do coração (necessitando o implante de um marcapasso), arritmias cardíacas graves e perfuração do músculo cardíaco.
Recentemente, foi desenvolvida uma versão mais segura e menos associada a complicações para o tratamento por cateter da miocardiopatia hipertrófica. Nessa nova técnica a oclusão do ramo coronariano que irriga o septo espessado é feita através da injeção de uma cola vascular chamada Onyx®️. Essa substância é usada corriqueiramente na embolização de aneurismas cerebrais, sendo bastante segura de ser utilizada.
Com a utilização do Onyx®️, é possível conseguir resultados tão bons quanto os obtidos pela injeção do álcool, mas com um risco muito menor de complicações. O Dr. Gilberto Lahorgue Nunes realizou o primeiro caso do Sul do Brasil de tratamento da miocardiopatia hipertrófica com essa nova técnica.


A fibrilação atrial é uma das arritmias cardíacas mais comuns, acometendo em média 2 a 4% da população. Em condições normais, um estímulo elétrico é disparado de maneira regular e compassada por uma estrutura localizada no átrio direito (nó sinusal) e é retransmitido aos ventrículos através nó atrioventricular, ativando eletricamente e promovendo a contração dos ventrículos. Na fibrilação atrial, esse comando da ativação elétrica do coração é perdido, o que faz com que múltiplas regiões dos átrios disparem estímulos elétricos sem nenhuma coordenação, levando ao surgimento de um ritmo cardíaco totalmente irregular e acelerado (a frequência cardíaca frequentemente se eleva acima de 120-130 batimentos por minuto).
Pesquisas clínicas recentes demonstraram que a oclusão por cateter do apêndice atrial esquerdo é tão eficaz quanto e mais segura do que a anticoagulação na prevenção do AVC em pacientes que apresentam um risco mais elevado de ocorrência de sangramento, como os idosos. Nesse procedimento, uma prótese é avançada (por intermédio da punção de uma veia na região da virilha) até o apêndice atrial esquerdo, sendo posicionada dentro dessa cavidade e liberada após a confirmação do seu adequado posicionamento pelo ecocardiograma. A recuperação do paciente geralmente é rápida, sendo a alta hospitalar dada em um a dois dias após a realização do procedimento.
A válvula mitral é uma estrutura intracardíaca que conecta o átrio esquerdo com o ventrículo esquerdo, drenando o sangue oxigenado que vem dos pulmões para ser bombeado para todo o organismo através da artéria aorta. A insuficiência (ou refluxo) da válvula mitral ocorre quando os seus folhetos não são capazes de vedá-la completamente durante a contração do coração, permitindo o retorno (refluxo) de sangue para o átrio esquerdo. Esse maior volume de sangue que retorna para o átrio esquerdo é transmitido para a circulação pulmonar e pode causar um quadro de insuficiência cardíaca, caracterizado pelo surgimento de falta de ar ou cansaço aos esforços físicos.
Este procedimento, chamado de reparo percutâneo da válvula mitral, é realizado por cateter e consiste na colocação de um clip (introduzido através da punção de uma veia na região da virilha) unindo os dois folhetos da válvula.