
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser promessa para virar prática diária — e na cardiologia, isso já é realidade operacional. Na prática clínica do Dr. Gilberto Lahorgue Nunes, a IA já é ferramenta ativa de decisão, diagnóstico e performance em procedimentos cardiológicos avançados. Para o cardiologista intervencionista, especialista em cateterismo e terapias minimamente invasivas, a tecnologia não chegou para dividir espaço com a medicina — chegou para elevar o padrão de cuidado, precisão e segurança do paciente.
Segundo o médico, a IA já atua na linha de frente, muitas vezes sem o paciente perceber. Relógios inteligentes capazes de detectar arritmias, por exemplo, utilizam algoritmos para identificar padrões anormais de batimentos. “A população já usa IA na saúde sem se dar conta. Ela está integrada desde as soluções mais simples até as mais complexas”, reforça.
No ambiente clínico, essa presença se aprofunda. Estetoscópios digitais, aliados a sistemas inteligentes, captam sons cardíacos e, em segundos, interpretam o tipo de sopro e a possível válvula comprometida. O que antes exigia raciocínio clínico exclusivo, agora chega como diagnóstico assistido — com velocidade e precisão.
Essa mesma lógica se aplica ao eletrocardiograma. Estudos recentes demonstram que a acurácia da IA na leitura de exames já supera a análise isolada de especialistas. “O médico apoiado por IA acerta mais. Ganha performance e precisão”, resume. A tendência é clara: algoritmos integrados a emergências auxiliando na identificação precoce de infartos estão cada vez mais próximos de se tornarem padrão.
E o avanço não para no diagnóstico. Ferramentas baseadas em dados clínicos e comportamentais já auxiliam médicos a orientar prevenção em pacientes de risco, como diabéticos, com resultados equivalentes — e em alguns cenários superiores — ao aconselhamento humano tradicional.
Na cardiologia intervencionista, área de atuação direta do Dr. Gilberto, a IA já é uma peça do procedimento. Plataformas embarcadas em salas de hemodinâmica calculam variáveis e indicam parâmetros em tempo real, sem que o médico precise interromper a intervenção. “Isso significa menos tempo de procedimento, mais agilidade e menor risco de complicações. No fim, é mais segurança para o paciente”.
A capacidade de cruzar e processar milhares de dados permite também identificar perfis de maior risco, personalizando condutas com precisão inédita. Para o cardiologista, o próximo capítulo inclui telecirurgias assistidas por robôs e protocolos inteligentes integrados a hospitais e clínicas. “As possibilidades são imensas. É um novo mundo — e não tem volta”.
A maior barreira? Aceitar que a IA não é acessório, é pilar estratégico da prática médica. “A tecnologia não substitui o médico, mas o médico que usa IA vai substituir o que não usa”, enfatiza.
Na visão do especialista, a medicina caminha para o equilíbrio definitivo entre experiência humana e performance digital. E quem sai ganhando, claro, é o paciente.
