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O tratamento da estenose aórtica é indicado nos seguintes grupos de pacientes: estenose aórtica severa e sintomática, estenose aórtica severa sem sintomas porém com comprometimento da função de bomba do coração ou com sintomas durante o teste de esforço ou naqueles com estenose aórtica crítica (área de abertura da válvula < 0,5 cm²).

Inicialmente, a TAVI era indicada apenas naqueles pacientes que apresentavam risco proibitivo para realização da cirurgia convencional (de peito aberto). Posteriormente, estudos clínicos comparativos entre o implante por cateter e a cirurgia convencional mostraram equivalência de resultados em pacientes com risco cirúrgico alto, médio ou até mesmo baixo. Ou seja, em praticamente todos os perfis de risco o implante de válvula aórtica por cateter pode ser indicado com segurança e resultados de excelência.

A única questão ainda em aberto é se as válvulas implantadas por cateter apresentam a mesma durabilidade das válvulas implantadas por cirurgia (que tem durabilidade de aproximadamente 10 anos). A avaliação comparativa mais longa entre os dois tipos de válvula mostrou resultados equivalentes até o final de 5 anos de acompanhamento. Por essa razão, as diretrizes médicas recomendam a realização de TAVI em pacientes mais idosos (acima de 65 anos na diretriz americana e 74 anos na diretriz européia). Por outro lado, umas das indicações mais consagradas da TAVI é no tratamento de válvulas cirúrgicas com mal funcionamento (o chamado implante “válvula dentro da válvula”).



O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes analisa outro estudo recente que coloca a aspirina no foco do debate sobre seu uso na prevenção primária de eventos cardiovasculares.

Outra notícia recente e importante foi a publicação (também na revista científica JAMA) de um relatório da Força Tarefa de Serviços de Prevenção dos Estados Unidos (US Preventive Services Task Force – USPSTF) sobre o papel da aspirina na prevenção primária de eventos cardiovasculares, como o infarto do coração e o acidente vascular cerebral (AVC).

Após uma extensa e criteriosa revisão de todas as evidencias científicas existentes na literatura médica especializada, a recomendação dessa Força Tarefa é de que a aspirina não deve ser prescrita de rotina para pacientes sem eventos cardiovasculares prévios e nem submetidos à cirurgia de ponte de safena ou a angioplastia por cateter com implante de stents, ou seja, como estratégia de prevenção primária.

Nesses pacientes, o efeito positivo da aspirina em reduzir o infarto e o AVC foi praticamente anulado por uma maior ocorrência de sangramentos graves (e por vezes fatais) nessa população. Dessa forma, salvo em situações muito particulares, não existe indicação do uso da aspirina para prevenir um primeiro evento cardiovascular (a chamada prevenção primária). Consequentemente, o hábito de muitas pessoas saudáveis de tomar aspirina regularmente para evitar um infarto, além de não trazer benefícios, pode ser deletério.

Por outro lado, já está bem estabelecido que o uso da aspirina em baixas doses (75 a 100 mg/dia) reduz de maneira expressiva a ocorrência de infarto e AVC naqueles pacientes que já apresentaram estes eventos previamente ou que são portadores de ponte de safena ou stents coronários. Em outras palavras, a aspirina é um medicamento extremamente eficaz na chamada prevenção secundária.



O implante por cateter da válvula aórtica é realizado, na maioria dos casos, através de uma punção de uma artéria (artéria femoral) na região da virilha. Naqueles pacientes que apresentam aterosclerose severa com estreitamento importante, calcificação intensa ou tortuosidade excessiva das artérias femorais ou ilíacas (que conectam as artérias femorais com a aorta abdominal) o procedimento pode ser realizado por vias alternativas (acessos trans-apical, axilar, carotídeo e outros).

Na maioria dos casos, o implante é realizado com sedação leve, sem a necessidade de anestesia geral ou intubação do paciente. Em alguns casos, inicialmente é feita uma dilatação da válvula estreitada com um cateter-balão e, posteriormente, a válvula por cateter é avançada e implantada por dentro da válvula aórtica do paciente.

Depois do implante, a avaliação do resultado é realizada utilizando-se injeções de contraste na artéria aorta e pelo ecocardiograma (ultrassom do coração). Após o término do procedimento, o paciente é observado por 24h na UTI ou numa unidade especial, com monitorização cardíaca. A alta hospitalar geralmente ocorre de 1 a 4 dias após o procedimento.



O Dr. Gilberto Lohorgue Nunes segue respondendo algumas dúvidas que são enviadas por suas redes sociais. Neste artigo, o médico cardiologista explica como acontece a estenose aórtica.

 

A válvula aórtica conecta o coração à artéria aorta, que é a maior artéria do nosso corpo. A estenose (ou estreitamento) da válvula aórtica é provocada por um processo degenerativo dos folhetos da válvula.

Inicialmente, há um acúmulo de gordura nos folhetos seguido do surgimento de fibrose e provocando o seu espessamento. Posteriormente, existe acúmulo de cálcio nos folhetos e na sua junção, provocando uma redução gradativa da área de abertura da válvula (estenose).

Quando a área de abertura da válvula aórtica chega a um ponto crítico (geralmente < 1,0 cm2), começam a surgir os sintomas típicos dessa doença (cansaço ou falta de ar progressiva aos esforços, dor no peito semelhante à angina e, em casos mais avançados, desmaios).

Esse processo é lento, não causando sintomas na fase inicial e normalmente se manifestando clinicamente a partir da sexta década de vida. Em alguns pacientes, nos quais a válvula aórtica é composta de dois folhetos e não de três como na maioria das pessoas, a progressão da estenose tende a ser mais rápida com o surgimento mais precoce dos sintomas.

Quando a estenose aórtica é severa e provoca sintomas, existe indicação de tratamento ou por cirurgia ou por cateter, pois pacientes nesse estágio da doença apresentam um risco crescente de morte nos anos subsequentes se não tratados.



O médico cardiologista Dr. Glberto Lahorgue Nunes esclarece dúvidas frequentes de pacientes e de leitores do seu blog. Entre elas, as siglas e funções de alguns tratamentos realizados por cateter, como é o caso do TAVI.

TAVI

TAVI é a sigla que em inglês significa Transcatheter Aortic Valve Implantation e que traduzida para o português significa Implante Transcateter de Válvula Aórtica. Mesmo no Brasil costuma-se utilizar o termo TAVI pois esta sigla está consagrada mundialmente.

 

Como funciona

Nesse procedimento, uma válvula artificial feita de material biológico é implantada, de maneira minimamente invasiva, para substituir a válvula aórtica quando ela está estreitada (estenose), o que dificulta a ejeção de sangue pelo coração e provoca sintomas como falta de ar, dor no peito ou desmaios.

 


Dr. Gilberto Nunes | Clínica Cardiologista Porto Alegre

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