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O fumo representa uma das principais causas das doenças cardiovasculares. Estima-se que uma a duas mortes, entre cada 10 que ocorrem no mundo anualmente, sejam devidas ao hábito de fumar. Existe um impacto negativo do tabagismo sobre alguns fatores de risco cardiovasculares, como a intolerância aos carboidratos e os baixos níveis do colesterol protetor, o chamado HDL colesterol.

Outro fator importante é o efeito potencializador do fumo sobre os demais fatores de risco para doença cardiovascular, como hipertensão, diabete e níveis elevados do colesterol ruim (o LDL colesterol). Quando a pessoa fuma e tem um desses fatores de risco adicionalmente, o risco de desenvolver complicações cardiovasculares sérias aumenta em quatro vezes. Se, por outro lado, a pessoa fuma e possui dois desses fatores de risco, a chance de um evento grave cardiovascular aumenta em oito vezes.

Além das doenças cardíacas, como infarto e angina, o tabagismo também provoca o acidente vascular cerebral (AVC), os aneurismas de aorta e as obstruções das artérias dos membros inferiores.

É importante ressaltar que, mesmo pessoas que fumam pouco – menos de cinco cigarros por dia –, também apresentam maior risco de desenvolver essas doenças. E mais importante ainda: existe uma correlação entre o número de cigarros que se fuma por dia e o aumento do risco cardiovascular, ou seja, quanto maior o número de cigarros consumidos por dia, maior o risco de infarto e AVC.

A cessação do fumo é extremante benigna para o indivíduo. O risco cardiovascular cai ano após ano após a interrupção do hábito de fumar. Estima-se que após um ano, pelo menos, de abstinência do tabagismo, exista uma redução de 50% do risco cardiovascular. E, ao final de 10 anos de abstinência do fumo, esse risco cardiovascular se iguala ao risco de indivíduos que nunca fumaram.

No Brasil, felizmente, graças às campanhas de conscientização, houve uma redução de 40% na taxa de fumantes nos últimos anos. Em 2006, aproximadamente 15% da população brasileira fumava. Já em 2018, esse número caiu para menos de 10%. Lamentavelmente, algumas capitais, como Porto Alegre, Curitiba e São Paulo, ainda apresentam uma porcentagem de fumantes acima da média nacional de 10%.

Parar de fumar não é uma tarefa fácil, mas deve ser perseguida com afinco, pois é capaz de reduzir de maneira expressiva o risco cardiovascular. A fim de conseguir vencer a dependência química e física causada pelo hábito de fumar são fundamentais o acompanhamento médico, o uso de medicações e outras formas de tratamento como, por exemplo, a terapia cognitiva comportamental.

O tabagismo ainda é um problema de saúde pública no nosso país e deve ser combatido de maneira intensiva. A conscientização dos riscos do tabagismo, tanto em relação às doenças cardiovasculares quanto aos cânceres, deve ser enfatizada à toda a população, e auxílio deve ser prestado àqueles que fumam e desejam parar de fumar, a fim de que a ocorrência das doenças cardiovasculares associadas ao uso do tabaco possa ser reduzida expressivamente no Brasil.

 

Artigo publicado no site do Jornal do Comércio em 28/08/20.

 




 

As elevações dos níveis de colesterol estão na origem da maioria das doenças cardiovasculares, tais como o infarto do coração e o acidente vascular cerebral (AVC). Essas doenças representam a maior causa de mortalidade na população adulta no Brasil.

Existem, basicamente, dois tipos de colesterol: o chamado LDL colesterol ou colesterol ruim e o HDL colesterol ou colesterol bom. O LDL colesterol é o que se deposita nas paredes dos vasos sanguíneos, dando início a um processo chamado aterosclerose. Já, o HDL tem por função retirar o LDL da parede do vaso e fazer a sua metabolização no fígado.

Existe uma relação linear entre os níveis de LDL e a ocorrência de doenças cardiovasculares. Quanto maior o nível de colesterol ruim maior o risco de uma pessoa desenvolver infarto, AVC ou morte súbita.

De modo geral, recomenda-se a avaliação do risco cardiovascular em pessoas sem fatores de risco a partir dos 40 anos de idade, quando são medidos os níveis de colesterol e determinado o risco cardiovascular desse indivíduo. Dessa forma, pode-se selecionar qual a melhor opção de tratamento para esse paciente. Para pessoas com histórico de morte súbita precoce na família (< 55 anos para homens e < 65 anos para as mulheres), com casos de hipercolesterolemia familiar (defeito genético que causa elevação marcada do nível das gorduras no sangue) ou com outros fatores de risco para doença cardiovascular (fumo, hipertensão arterial, diabetes, obesidade), recomenda-se que a avaliação inicial seja realizada a partir dos 20 anos de idade.

Em linhas gerais, a primeira estratégia a ser empregada é a mudança do estilo de vida, ou seja, a realização de exercícios físicos regulares (de moderada intensidade, com duração de pelo menos 30-40 minutos, quatro a cinco vezes por semana), a adoção de uma dieta mais saudável (rica em fibras, verduras, frutas, oleaginosas, óleo extravirgem, peixes, e evitando o consumo de carnes vermelhas ou processadas), perda peso e interrupção do fumo. Se os níveis de colesterol forem muito elevados – LDL colesterol acima de 190 mg/dL –, além dessas medidas gerais, é fundamental também a prescrição de medicamentos específicos para reduzir os seus níveis, mesmo na ausência de outros fatores de risco. Nos pacientes com outros fatores de risco associados, o emprego de medicações que reduzem o colesterol deve ser considerado quando o LDL é superior a 160 mg/dL.

Em resumo, os níveis elevados do colesterol (especialmente do colesterol LDL) contribuem para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares causadas pela aterosclerose (como o infarto e o AVC). A identificação precoce dos seus níveis elevados é fundamental para prevenir a ocorrência destas doenças, evitar as suas consequências e, dessa forma, prolongar a vida. As estratégias de prevenção incluem a adoção de um estilo de vida mais saudável (dieta associada à atividade física regular), o controle adequado dos outros fatores de risco (hipertensão, diabetes, fumo) e, dependendo do perfil de risco do indivíduo, o uso de medicamentos que reduzem os níveis do colesterol no sangue.


Dr. Gilberto Nunes | Todos os Direitos Reservados

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