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O Dr. Gilberto Lahorgue Nunes responde as questões mais comuns sobre a sua atividade.

Quais doenças um médico cardiologista trata?

O cardiologista faz o diagnóstico e o tratamento das doenças que envolvem o coração e o sistema cardiovascular. As doenças mais frequentemente tratadas pelo cardiologista são a pressão alta (hipertensão arterial), as obstruções das artérias coronárias (vasos que irrigam o músculo cardíaco), as doenças das válvulas cardíacas, as arritmias cardíacas e a insuficiência cardíaca (“coração dilatado”).

Quando procurar um cardiologista?

Deve-se procurar o cardiologista na presença de sintomas sugestivos da presença de doenças cardíacas, tais como a dor no peito, o cansaço, a falta de ar e as palpitações. Geralmente, recomenda-se que a partir dos 40 anos de idade, todas as pessoas façam uma avaliação cardiológica de rotina. Pessoas que tenham histórico de doença cardíaca na família ou que apresentem fatores de risco tais como diabetes, hipertensão, fumo, obesidade ou aumento do colesterol devem fazer esta avaliação mais precocemente.

O que perguntar em uma consulta ao cardiologista?

Durante a consulta com o cardiologista, o paciente deve relatar todos os sintomas que apresenta assim como informar se é portador de algum fator de risco para as doenças cardiovasculares ou se algum familiar de primeiro grau (pais, avós, irmãos/irmãs) é portador de algum tipo de doença cardiovascular ou apresentou morte súbita. O paciente deve perguntar sobre como adotar um estilo de vida mais saudável e que diminua o seu risco de desenvolver doenças do coração.

O que faz um cardiologista intervencionista?

O cardiologista intervencionista é um cardiologista que tem especialização na área de tratamento das doenças cardiovasculares por cateter. Isso inclui o tratamento das obstruções das coronárias, das doenças das válvulas cardíacas e de outras doenças que envolvam as artérias do corpo.



No dia 14 de novembro, celebra-se o Dia Mundial do Combate ao Diabetes, uma doença que tem se tornado uma verdadeira pandemia mundial. Dados do Ministério da Saúde contabilizam um total de aproximadamente 16 milhões de diabéticos no Brasil. A incidência aumenta com o envelhecimento, acometendo mais de 20% da população com idade acima dos 65 anos, sendo que o diabetes anda de mão dadas com outra epidemia nacional, a obesidade.

Projeções feitas a partir de estudos epidemiológicos indicam que até 2045 haverá um aumento de 55% ou mais no número de diabéticos no nosso país, com um impacto expressivo em termos de saúde pública.

O diabetes é um conhecido fator de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares, como o infarto e o acidente vascular cerebral. Além disso, os diabéticos estão mais propensos a desenvolver hipertensão arterial e aumento dos níveis de colesterol. Pacientes adultos com diabetes apresentam um risco duas a quatro vezes maior de morrer de doenças cardíacas do que os não-diabéticos.

O que podemos fazer para impedir o alastramento dessa doença e das suas consequências?

Mudanças simples no estilo de vida exercem um efeito poderoso na prevenção do desenvolvimento do diabetes. Dados do Diabetes Prevention Program dos Estados Unidos mostraram uma redução de 58% na incidência da doença ao final de três anos de acompanhamento com a perda de 7% do peso corporal e a realização de atividade física de moderada intensidade por 150 minutos por semana.

Outra medida fundamental é o diagnóstico precoce, especialmente em pessoas com obesidade/sobrepeso, hipertensão arterial ou com história de diabetes na família. O diagnóstico e tratamento precoce do diabetes são fundamentais para prevenir a ocorrência de dano ao coração, ao cérebro e aos rins.

Finalmente, novos medicamentos recentemente aprovados para o uso clínico, são capazes de reduzir a ocorrência de morte por causas cardiovasculares e a progressão do comprometimento da função dos rins. Em resumo, podemos sim controlar a epidemia do diabetes usando o tripé prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado!

 

Fonte: JC – 13/11/2020



 

Uma dúvida muito frequente é sobre o que é a angina. Se é uma doença cardíaca, como deve ser tratada?

Na verdade, a angina é um sintoma. É uma dor, geralmente, no lado esquerdo do peito ou na porção central do tórax, atrás do osso esterno. Normalmente, tem uma característica de aperto ou de peso. Mais raramente, pode se manifestar como uma queimação, muitas vezes se confundindo com um sintoma gástrico.

Classicamente, a angina surge quando a pessoa faz algum tipo de esforço físico – subir uma escada, acelerar o passo – e, tradicionalmente, alivia em poucos minutos, assim que a pessoa cessa a atividade que a provocou.

A angina é uma manifestação clínica de uma obstrução de alguma artéria coronária por uma placa de gordura. As artérias coronárias são aquelas que irrigam o músculo cardíaco. Quando o fluxo de sangue é diminuído pela existência de uma obstrução, o sinal de alerta que o coração emite é justamente a dor de angina.

Tratamento – Quando a pessoa começa a apresentar esse sintoma, é muito importante que ela procure consultar com um cardiologista para avaliar a extensão do problema e, eventualmente, definir qual o melhor tratamento a ser empregado, que pode ser apenas com medicações ou com a realização de um exame invasivo, chamado cateterismo cardíaco.

O cateterismo cardíaco vai identificar aonde são as obstruções, se comprometem uma ou mais coronárias, e, eventualmente, definir se há necessidade de um tratamento diferente, que pode ser a angioplastia com colocação de stent

s coronários (próteses metálicas que mantêm o vaso aberto) ou, numa minoria de pacientes, a necessidade de fazer uma cirurgia de peito aberto com a colocação de pontes de safena.

Em alguns casos, geralmente naqueles pacientes que tiveram dor em um esforço físico e não procuraram um cardiologista para investigar, pode se instalar um quadro de angina instável – quando a dor começa a aparecer cada vez mais com menos quantidade de esforço, com maior frequência e maior intensidade ou até com a pessoa parada, sem fazer nenhuma atividade físico. Nesses casos, é preciso ação imediata, o paciente deve procurar uma emergência de algum hospital, pois eventualmente, pode haver a necessidade de se realizar um cateterismo de urgência devido à gravidade do quadro.

O reconhecimento desse sintoma e o seu tratamento adequado impedem que o quadro possa progredir para um infarto agudo do miocárdio.



 


 

O tratamento das doenças cardíacas estruturais por cateter representa a nova fronteira da cardiologia intervencionista.
Cada vez mais, os tratamentos por cateter vêm sendo aplicados com bons resultados, especialmente em pacientes nos quais a cirurgia de peito aberto é contraindicada ou de alto risco.
Com certeza, a sua utilização e o refinamento dos seus resultados irá revolucionar o tratamento de uma série de doenças cardíacas, tornando-se uma alternativa extremante eficaz e menos invasiva do que a cirurgia de peito aberto.
O Dr. Gilberto Lahorgue Nunes aborda o tema neste vídeo, apontando a técnica como alternativa.

A Cardiologia Intervencionista é uma subespecialidade da Cardiologia que envolve todos os tratamentos passíveis de serem feitos por cateter. Durante muitos anos, foi sinônimo de tratamento das obstruções das artérias coronárias como uma alternativa a cirurgia de ponte de safena.

Em anos recentes, houve uma expansão das indicações e das técnicas de tratamento por cateter para permitir também a abordagem das doenças que acometem as válvulas cardíacas e das doenças cardíacas que podem levar ao acidente vascular cerebral (AVC).

Com relação às válvulas, já está comprovado, por vários estudos clínicos controlados, que o implante de uma válvula por cateter para o tratamento de uma doença chamada estenose (estreitamento) da válvula aórtica leva a resultados tanto imediatos quanto tardios tão bons quanto os da cirurgia convencional de peito aberto.

Essa equivalência de resultados foi demonstrada em todos os subgrupos de pacientes com estreitamento da válvula aórtica, quer seja aqueles com risco cirúrgico baixo, alto, ou mesmo naqueles pacientes nos quais o risco é proibitivo e a cirurgia contraindicada.

Mais recentemente, começaram a ser realizadas intervenções para o tratamento da válvula mitral, especificamente para tratar uma doença chamada insuficiência da válvula mitral. Nos pacientes portadores dessa doença, a válvula mitral não faz a vedação de forma adequada, permitindo o refluxo de sangue para os pulmões e levando a um quadro de insuficiência cardíaca. Estudos clínicos controlados demonstraram que a colocação por cateter de um clipe nessa válvula pode fazer com que a evolução desses pacientes seja melhorada em relação ao tratamento clínico com medicamentos. Em um desses estudos (e que incluiu um número maior de pacientes) foi demonstrado que, ao final de dois anos de acompanhamento, houve uma redução da taxa de mortalidade dos pacientes que foram submetidos ao tratamento por cateter.

Uma outra área na qual os procedimentos por cateter têm demonstrado bons resultados é na prevenção dos acidentes vasculares cerebrais (“derrames” cerebrais) provocados por liberação de coágulos a partir do coração e a sua embolização para as artérias do cérebro.

Existem duas situações básicas nas quais esse fenômeno pode acontecer. Na primeira delas, uma falta de fechamento da membrana (septo) que separa as cavidades superiores do coração (chamadas de átrios direito e esquerdo) pode permitir que coágulos formados nas veias das pernas possam cruzar para o lado esquerdo do coração e causarem a obstrução temporária ou permanente de uma artéria que irriga o cérebro. Em pacientes jovens, com menos de 55 anos e que já tenham sofrido uma isquemia cerebral sem causa aparente, o fechamento por cateter do defeito do septo que separa os átrios reduz de maneira significativa a ocorrência de um novo acidente vascular cerebral em comparação com o tratamento com medicamentos.

A segunda situação envolve os pacientes portadores de uma arritmia cardíaca chamada de fibrilação atrial, na qual o uso de anticoagulantes (medicamentos que impedem o sangue de coagular) são indicados para prevenir a embolização de coágulos para o cérebro. Nos pacientes que apresentam alto risco de sangramento ou que tenham contraindicação ao uso dos anticoagulantes, a oclusão por cateter de uma cavidade intracardíaca chamada apêndice atrial esquerdo (aonde a maioria dos coágulos são formados) é uma alternativa segura e eficaz de prevenção do acidente vascular cerebral embólico. Além disso, este tratamento por cateter confere uma proteção contra o risco de sangramento associado ao uso prolongado dos anticoagulantes.


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