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Os efeitos prejudiciais da infecção pelo coronavírus sobre o coração são mais frequentes do que inicialmente se imaginava. Estudos demonstram que em torno de um quarto dos pacientes hospitalizados por Covid-19 apresenta algum tipo de complicação cardiovascular, sendo que o surgimento dessas complicações é responsável por até 40% das mortes que ocorrem durante a internação.

A Covid-19 causa um quadro de inflamação de grande magnitude no organismo podendo ocasionar uma inflamação generalizada do músculo cardíaco (miocardite), que pode provocar a dilatação do coração e o desenvolvimento de insuficiência cardíaca.

Por outro lado, a infecção pelo coronavírus aumenta o risco de formação de coágulos dentro dos vasos, favorecendo a ocorrência de infarto agudo do miocárdio e de embolia pulmonar.

Além disso, mesmo pacientes sem histórico prévio de doenças cardíacas ou com quadros clínicos mais leves e que não necessitam de internação podem apresentar algum grau de comprometimento cardíaco.

A fim de identificar precocemente o desenvolvimento dessas complicações, é fundamental o acompanhamento médico, independentemente da severidade das manifestações da Covid-19.



A pandemia vai passar, porém os seus efeitos colaterais sobre o sistema de saúde serão mais duradouros

Por Gilberto Lahorgue Nunes, cardiologista

 

A pandemia causada pela COVID-19 tem provocado impacto significativo sobre o sistema de saúde, e não apenas devido ao atendimento dos doentes infectados.

O isolamento social, fundamental para o controle da propagação do coronavírus, tem acarretado um outro fenômeno com potencial igualmente deletério à saúde da população. Pacientes portadores de doenças crônicas e também aqueles com quadros agudos não relacionados à covid-19 tem deixado de procurar o atendimento tanto em hospitais quanto em clínicas por receio de contaminação.

Dados da cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, evidenciaram, nos dois últimos meses, um aumento explosivo do número de pacientes que sofreram parada cardíaca em casa. A falta de acompanhamento médico, o receio de procurar atendimento hospitalar e a suspensão de medicações são elencados como possíveis causadores dessa situação.

No Brasil, o número de pacientes tratados nas emergências por ataques cardíacos sofreu uma redução de 40-50%. Para completar, a demora desses pacientes em procurar o atendimento médico de emergência pode provocar agravamento do quadro clínico e maior risco de sequelas graves.

Um outro efeito colateral importante da atual pandemia é a redução expressiva das internações hospitalares e das cirurgias e procedimentos eletivos, acarretando uma diminuição dramática da taxa de ocupação dos leitos e, por consequência, da receita dos hospitais.

Além disso, o setor passou a sofrer com o aumento dos custos na compra de materiais e equipamentos para o atendimento dos infectados pela COVID-19 e para a proteção das equipes de saúde. Para sobreviver a esse quadro econômico-financeiro desfavorável, os hospitais têm promovido cortes significativos das despesas, inclusive com dispensa de funcionários.

Essa pandemia certamente vai passar, porém os seus efeitos colaterais sobre o sistema de saúde certamente serão mais duradouros, podendo impactar negativamente a qualidade do atendimento de saúde por um período bem mais prolongado.

 

Fonte: Gaúcha ZH


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