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Cardiologista Cardiologista Dr. Gilberto Nunes | Porto Alegre Comissao cientifica define programacao do Congresso da SocergsNa segunda-feira (13), o cardiologista intervencionista Gilberto Lahorgue Nunes participou da reunião da Comissão Científica e do Comitê de Consultores da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (Socergs), dedicada à organização do Congresso da Socergs 2026.

O encontro marcou uma etapa importante da construção da programação científica do evento. Durante a reunião, foram definidos os temas centrais que irão orientar os debates e as atividades do congresso, além da estrutura da programação por salas.

Entre os principais tópicos definidos para o congresso estão:
* Papel da Lipoproteína(a) – ou Lp(a) – na estratificação de risco na prevenção primária de eventos cardiovasculares
* Terapia farmacológica atual da insuficiência cardíaca
* Papel da revascularização na doença coronária estável
* Oclusão do apêndice atrial esquerdo na prevenção do AVC em pacientes com fibrilação atrial
* Manejo das arritmias cardíacas no consultório
* Aplicações atuais da inteligência artificial na cardiologia
* Análise das últimas diretrizes em Cardiologia publicadas em 2025 e 2026

A programação também prevê três conferências com convidados internacionais, ampliando o intercâmbio científico e a discussão sobre avanços recentes na especialidade.

“Esse é um momento importante de planejamento, em que buscamos construir uma programação atualizada e relevante para a prática clínica. A ideia é promover discussões qualificadas sobre os principais avanços da Cardiologia”, destaca o Dr. Gilberto Lahorgue Nunes.



Cardiologista Cardiologista Dr. Gilberto Nunes | Porto Alegre Infarto em mulheres sintomas fatores hormonais e prevencao apos a menopausaNo mês dedicado à valorização e à saúde da mulher, um alerta merece atenção: as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte entre mulheres no mundo. E, diferente do que muitos ainda imaginam, o coração feminino tem particularidades importantes — nos sintomas, na influência hormonal e na prevenção.

Nem sempre é “aquela dor no peito” – Ao contrário do padrão clássico descrito nos homens, o infarto na mulher pode se manifestar de forma mais silenciosa ou atípica.
Os sinais mais comuns incluem:
– Desconforto ou pressão no peito (nem sempre intensa)
– Dor no epigástrio, nas costas, mandíbula, pescoço ou braço
– Falta de ar
– Náuseas ou vômitos
– Tontura
– Fadiga extrema e súbita
– Suor frio

Muitas mulheres interpretam esses sintomas como ansiedade, estresse ou problemas gastrointestinais — o que pode atrasar o diagnóstico. E, em cardiologia, tempo é músculo: quanto mais rápido o atendimento, maior a chance de preservar o coração.
Durante a fase reprodutiva, o estrogênio exerce um efeito protetor sobre o sistema cardiovascular. Esse hormônio contribui para:
– Melhor controle do colesterol
– Maior flexibilidade dos vasos sanguíneos
– Redução da formação de placas de gordura nas artérias

Por isso, antes da menopausa, as mulheres tendem a apresentar menor risco cardiovascular em comparação aos homens da mesma idade. No entanto, essa proteção não é absoluta — fatores como tabagismo, sedentarismo, hipertensão, diabetes, obesidade e estresse anulam esse benefício.
Pós-menopausa: o risco cardiovascular aumenta – Com a chegada da menopausa, há uma queda significativa dos níveis de estrogênio. A partir daí, o risco cardiovascular da mulher aumenta progressivamente e pode se equiparar ao dos homens. É nesse momento que a prevenção deixa de ser opcional.

Principais cuidados nessa fase:
– Monitorar pressão arterial regularmente
– Controlar colesterol e glicemia
– Manter peso saudável
– Praticar atividade física de forma contínua
– Adotar alimentação equilibrada
– Avaliar, com acompanhamento médico, o risco cardiovascular individual

A menopausa não é o problema — o risco está em ignorar as mudanças metabólicas que ela provoca.
A mulher costuma cuidar de todos ao seu redor. Mas, quando o assunto é saúde cardiovascular, precisa se colocar no centro da própria agenda. Informação salva vidas. Reconhecer sintomas, entender as mudanças hormonais e investir em prevenção são decisões que fazem diferença no longo prazo.

Porque o coração da mulher tem suas particularidades — e merece atenção especial.



Cardiologista Cardiologista Dr. Gilberto Nunes | Porto Alegre Novidades da Cardiologia em 2026 tecnologia precisao e menos invasaoA cardiologia segue avançando em ritmo acelerado e o ano de 2026 consolida uma tendência clara: procedimentos cada vez menos invasivos, mais precisos e apoiados por tecnologia de ponta.
Entre os principais destaques estão as novas válvulas cardíacas implantadas por cateter, ampliando as opções para pacientes com doenças do coração. As próteses mitrais e tricúspides ganham espaço, além de válvulas aórticas desenvolvidas especificamente para o tratamento da insuficiência aórtica. A evolução da TAVI (implante transcateter de válvula aórtica) também amplia indicações e resultados, beneficiando um número maior de pacientes com risco cirúrgico variado.
Outro avanço relevante é a integração de imagens no laboratório de cateterismo. A fusão de exames como ecocardiograma e tomografia permite maior precisão durante os procedimentos. Soma-se a isso o uso cada vez mais disseminado da inteligência artificial, que auxilia na análise de imagens, planejamento terapêutico e tomada de decisão clínica.

Os stents coronários bioabsorvíveis ressurgem com novas tecnologias e promessas de melhor desempenho a longo prazo, reforçando a busca por soluções que tratem a obstrução sem deixar estruturas permanentes no organismo.
Na área do tratamento por cateter da miocardiopatia hipertrófica, cresce a disseminação do emprego de agentes embolizantes menos agressivos e mais seguros do que o álcool absoluto. O Onyx (espécie de “cola” que já é amplamente utilizada na Neurologia para o tratamento dos aneurismas cerebrais) tem sido cada vez mais utilizado com resultados extremamente animadores e com menos complicações, ampliando alternativas menos invasivas para pacientes selecionados.
Por fim, a cirurgia cardíaca robótica avança em indicação e consolidação, trazendo mais precisão, menor trauma cirúrgico e recuperação potencialmente mais rápida.
Em resumo: a cardiologia em 2026 combina inovação tecnológica, personalização do tratamento e foco em segurança, ampliando as possibilidades terapêuticas e os resultados para os pacientes.

 



Cardiologista Cardiologista Dr. Gilberto Nunes | Porto Alegre ANVISA amplia uso da semaglutidaA Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), órgão responsável pela aprovação do uso de medicamentos e produtos no Brasil, anunciou a ampliação das indicações da semaglutida no país. Inicialmente aprovada para o controle do diabetes tipo 2 em adultos, a medicação passa agora a ser indicada também para a prevenção de eventos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

A nova indicação se destina a pacientes não diabéticos, mas com doença cardiovascular já estabelecida, que apresentem obesidade ou sobrepeso.

Essa ampliação baseia-se nos resultados do estudo clínico randomizado SELECT, publicado em novembro de 2023 na revista científica New England Journal of Medicine. O estudo incluiu pacientes com idade superior a 44 anos, portadores de obesidade ou sobrepeso (índice de massa corporal, IMC > 27*) e com histórico prévio de infarto do miocárdio (IAM), AVC ou doença aterosclerótica vascular periférica sintomática — como obstruções nas artérias das pernas associadas à dor ao caminhar.

Mais de 17 mil pacientes participaram do estudo. Eles foram alocados de forma aleatória e cega — ou seja, nem médicos nem pacientes sabiam qual tratamento estava sendo administrado — para receber semaglutida na dose de 2,4 mg, por meio de injeção subcutânea a cada duas semanas, ou placebo (substância inerte). O acompanhamento ocorreu por aproximadamente 40 meses. Ao final desse período, observou-se uma redução de 20% no desfecho combinado de morte cardiovascular, infarto não fatal e AVC não fatal no grupo tratado com semaglutida.

Os resultados reforçam o papel da semaglutida na redução do peso corporal quando associada à dieta e à prática regular de atividade física. A perda média de peso observada no estudo foi de 9%. Além disso, os achados indicam um benefício adicional do medicamento na redução de novos infartos e AVCs em pacientes com doença cardiovascular pré-existente, quando utilizado em conjunto com terapias já consagradas, como aspirina, medicamentos anti-hipertensivos e estatinas (utilizadas para redução do colesterol).

Entretanto, alguns pontos importantes merecem destaque. Em primeiro lugar, o estudo foi patrocinado pelo fabricante da semaglutida, que também participou do desenho do protocolo. Pesquisas com forte envolvimento da indústria estão sempre sujeitas a potenciais conflitos de interesse.

Em segundo lugar, os resultados se aplicam exclusivamente à prevenção secundária de eventos cardiovasculares, ou seja, à prevenção de novos eventos em pacientes que já possuem doença cardiovascular estabelecida e que também apresentam obesidade ou sobrepeso. Dessa forma, os achados não se aplicam a pessoas sem histórico prévio de doença cardiovascular, com idade inferior a 45 anos ou com IMC inferior a 27.

*O IMC é obtido dividindo-se o peso (kg) pela altura (em metros) ao quadrado (peso/altura²).



Cardiologista Cardiologista Dr. Gilberto Nunes | Porto Alegre Diagnosticos mais rapidos procedimentos mais seguros a IA como aliada da cardiologia intervencionista

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser promessa para virar prática diária — e na cardiologia, isso já é realidade operacional. Na prática clínica do Dr. Gilberto Lahorgue Nunes, a IA já é ferramenta ativa de decisão, diagnóstico e performance em procedimentos cardiológicos avançados. Para o cardiologista intervencionista, especialista em cateterismo e terapias minimamente invasivas, a tecnologia não chegou para dividir espaço com a medicina — chegou para elevar o padrão de cuidado, precisão e segurança do paciente.

Segundo o médico, a IA já atua na linha de frente, muitas vezes sem o paciente perceber. Relógios inteligentes capazes de detectar arritmias, por exemplo, utilizam algoritmos para identificar padrões anormais de batimentos. “A população já usa IA na saúde sem se dar conta. Ela está integrada desde as soluções mais simples até as mais complexas”, reforça.

No ambiente clínico, essa presença se aprofunda. Estetoscópios digitais, aliados a sistemas inteligentes, captam sons cardíacos e, em segundos, interpretam o tipo de sopro e a possível válvula comprometida. O que antes exigia raciocínio clínico exclusivo, agora chega como diagnóstico assistido — com velocidade e precisão.

Essa mesma lógica se aplica ao eletrocardiograma. Estudos recentes demonstram que a acurácia da IA na leitura de exames já supera a análise isolada de especialistas. “O médico apoiado por IA acerta mais. Ganha performance e precisão”, resume. A tendência é clara: algoritmos integrados a emergências auxiliando na identificação precoce de infartos estão cada vez mais próximos de se tornarem padrão.

E o avanço não para no diagnóstico. Ferramentas baseadas em dados clínicos e comportamentais já auxiliam médicos a orientar prevenção em pacientes de risco, como diabéticos, com resultados equivalentes — e em alguns cenários superiores — ao aconselhamento humano tradicional.

Na cardiologia intervencionista, área de atuação direta do Dr. Gilberto, a IA já é uma peça do procedimento. Plataformas embarcadas em salas de hemodinâmica calculam variáveis e indicam parâmetros em tempo real, sem que o médico precise interromper a intervenção. “Isso significa menos tempo de procedimento, mais agilidade e menor risco de complicações. No fim, é mais segurança para o paciente”.

A capacidade de cruzar e processar milhares de dados permite também identificar perfis de maior risco, personalizando condutas com precisão inédita. Para o cardiologista, o próximo capítulo inclui telecirurgias assistidas por robôs e protocolos inteligentes integrados a hospitais e clínicas. “As possibilidades são imensas. É um novo mundo — e não tem volta”.

A maior barreira? Aceitar que a IA não é acessório, é pilar estratégico da prática médica. “A tecnologia não substitui o médico, mas o médico que usa IA vai substituir o que não usa”, enfatiza.

Na visão do especialista, a medicina caminha para o equilíbrio definitivo entre experiência humana e performance digital. E quem sai ganhando, claro, é o paciente.



Nos últimos anos, os cardiologistas têm voltado a atenção para uma molécula chamada Lipoproteína(a), ou Lp(a) — considerada por muitos especialistas a nova vilã do coração. Trata-se de uma partícula de gordura no sangue semelhante ao colesterol “ruim” (LDL), mas com uma diferença importante: ela possui uma proteína extra que a torna mais agressiva aos vasos sanguíneos. Esse componente adicional facilita a formação de placas de gordura e de coágulos, o que aumenta o risco de infarto e AVC, mesmo em pessoas com colesterol aparentemente controlado.

O alerta está na Nova Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, apresentada pela SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) em setembro. Um risco que vem dos genes – Diferente do colesterol tradicional, os níveis de Lp(a) são determinados pela genética — ou seja, não mudam muito com dieta, exercícios ou remédios já conhecidos. Por isso, uma pessoa pode ter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e, ainda assim, apresentar níveis elevados dessa molécula.

Quem deve ficar atento
A dosagem da Lp(a) deve ser considerada em casos de:
* Histórico familiar de doenças cardíacas precoces.
* Infarto ou AVC em pessoas com colesterol normal.
* Aterosclerose detectada em exames, sem causa aparente.

Mesmo sem medicamentos específicos aprovados para reduzir a Lp(a), é essencial controlar todos os outros fatores de risco cardiovascular — como colesterol LDL, pressão alta, glicemia, tabagismo e excesso de peso.

Ensaios clínicos estão em andamento para desenvolver terapias voltadas exclusivamente à redução da Lp(a), o que representa uma nova fronteira da cardiologia preventiva.
“Mesmo com o colesterol sob controle, pode existir um risco oculto. O exame da Lipoproteína(a) ajuda a identificar esse perigo silencioso e orientar a prevenção de forma mais personalizada”, explica o cardiologista intervencionista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes.



Controle da pressão arterial reforçam que hábitos saudáveis são fundamentais para manter a pressão sob controle e dieta DASH é um deles: plano alimentar criado especialmente para reduzir a hipertensão, com foco em frutas, verduras, grãos integrais e redução de sal.

Controle da pressão arterial

A pressão arterial elevada continua sendo um dos maiores fatores de risco para doenças do coração, derrames e até mesmo demência. Por isso, as sociedades médicas internacionais revisaram recentemente as orientações para diagnóstico e tratamento da hipertensão.
Se, mesmo após 3 a 6 meses de mudanças no estilo de vida — como melhorar a alimentação, praticar exercícios e controlar o peso — a pressão arterial continuar em 130/80 mmHg ou mais, o uso de medicamentos deve ser considerado.
Em algumas situações, como em pessoas com diabetes, doença renal crônica ou alto risco cardiovascular, a recomendação é iniciar a medicação de imediato, sem esperar esse período de ajustes.
Estilo de vida: o primeiro passo
As novas diretrizes reforçam que hábitos saudáveis são fundamentais para manter a pressão sob controle:
• Dieta DASH: plano alimentar criado especialmente para reduzir a hipertensão, com foco em frutas, verduras, grãos integrais e redução de sal.
• Exercícios físicos: manter-se ativo ajuda a baixar a pressão e prevenir outras doenças.
• Controle do peso e do estresse: perder alguns quilos e adotar práticas de relaxamento já fazem diferença.
Um ponto importante das novas recomendações é a relação entre pressão alta e declínio cognitivo. Tratar corretamente a hipertensão ajuda a reduzir o risco de demência e outras complicações graves.
A pressão arterial precisa de atenção constante. Pequenas mudanças no dia a dia, associadas ao acompanhamento médico, podem evitar complicações sérias no futuro.


Nos últimos anos, medicamentos injetáveis para controle glicêmico — originalmente indicados para diabetes tipo 2, mas amplamente usados também para controle de peso — passaram a fazer parte da rotina de muitos pacientes. E isso traz um alerta importante, especialmente quando esses pacientes precisam realizar procedimentos com sedação, como o cateterismo cardíaco.

O que pouca gente sabe é que o semaglutida, princípio ativo do medicamento, retarda o esvaziamento do estômago. Essa ação, embora benéfica para o controle glicêmico e da saciedade, pode aumentar o risco de complicações durante a sedação — como refluxo e broncoaspiração, que ocorrem quando o conteúdo do estômago vai para os pulmões. Por isso, o anestesista ou cardiologista precisa saber se o paciente está usando esse tipo de medicamento.

Em muitos casos, o ideal é suspender o uso alguns dias antes do procedimento, sob orientação médica. Não se trata de um risco cardíaco direto causado pelo medicamento, mas sim de uma interação perigosa com os anestésicos, especialmente em procedimentos que exigem jejum e controle rigoroso da via aérea.

O recado é claro: informe sempre todos os medicamentos em uso, mesmo que não sejam “para o coração”. A interação entre fármacos pode ter impacto direto na segurança do procedimento.
E lembre-se: automedicação nunca é uma boa ideia — especialmente com medicamentos de uso contínuo, que interferem em diferentes sistemas do corpo.



Nossa experiência com a nova técnica de tratamento por cateter da miocardiopatia hipertrófica obstrutiva (MCHO) segue avançando. Após realizarmos o primeiro caso de embolização com o agente Onyx no Rio Grande do Sul, em novembro de 2022, continuamos aplicando essa abordagem inovadora com ótimos resultados.
A MCHO é uma condição caracterizada por um espessamento anormal do septo interventricular, que leva à obstrução dinâmica da via de saída do ventrículo esquerdo. Isso pode provocar sintomas importantes como falta de ar, dor no peito (angina) e desmaios (síncope).
Nesse final de semana, tratamos um caso particularmente desafiador: uma paciente de 80 anos, portadora de MCHO associada à estenose da válvula aórtica — duas condições que, juntas, geravam uma significativa limitação ao fluxo sanguíneo do coração.
Para reduzir o risco de complicações durante o futuro implante transcateter da válvula aórtica (TAVI), optamos por tratar inicialmente a MCHO por cateter, utilizando a técnica desenvolvida pelo Dr. Sydney Munhoz, de Cuiabá. Nessa abordagem, ramos septais são ocluídos com o agente embolizante Onyx®, originalmente usado no tratamento de aneurismas cerebrais. Diferentemente da técnica convencional com álcool absoluto, essa nova metodologia permite maior precisão, menor índice de complicações e a possibilidade de tratar múltiplos vasos em um único procedimento.
Nesse caso, realizamos a embolização de dois ramos septais, com excelente resposta: a obstrução dinâmica foi significativamente reduzida, com queda do gradiente sistólico intraventricular de 118 mmHg para 18 mmHg. A paciente apresentou boa evolução clínica, sem qualquer complicação.
O próximo passo será a realização do TAVI, programado para ocorrer dentro de 30 dias.
Casos como esse demonstram como a combinação entre conhecimento, técnica e inovação pode ampliar as possibilidades terapêuticas, mesmo em situações de alta complexidade.

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Cardiologista Cardiologista Dr. Gilberto Nunes | Porto Alegre 05032025 GZH Artigo Obesidade doenca ou fator de risco montagem

Embora classificada como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), existe um grande debate sobre se é adequado considerar a obesidade isoladamente como uma patologia. A obesidade é um reconhecido fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes, porém nem todos os obesos possuem níveis elevados de pressão arterial, glicose ou do colesterol.

Será que é correto definir estes pacientes como doentes? Muito provavelmente não, mas a controvérsia continua. Outro problema relevante são as limitações do índice de massa corporal (IMC) como definidor do diagnóstico de obesidade, por poder tanto superestimar quanto subestimar o excesso de adiposidade.

Devido às fragilidades do IMC, foi recentemente proposta pela Comissão de Diabetes e Endocrinologia da revista científica Lancet uma nova definição de obesidade, que requer a avaliação por pelo menos dois métodos antropométricos (IMC e circunferência abdominal, por exemplo), além de evidências clínicas de limitação funcional (dificuldade de locomoção, por exemplo) ou de dano a um órgão (linfedema, apneia do sono etc.).

Colocando em termos simples: essa nova classificação permite separar a obesidade fator de risco da obesidade doença (dano orgânico estabelecido). Além de melhorar a acurácia do diagnóstico, essa nova classificação evita a estigmatização de pessoas saudáveis, mas com excesso de adiposidade. Embora inovador, esse conceito não deve ser estendido a outros fatores de risco clássicos para as doenças cardiovasculares.

Níveis sustentadamente elevados da pressão arterial (acima de 120/80 mmHg) e da glicose (acima de 126 mg/dl) produzem efeitos deletérios sobre o nosso organismo (mesmo na ausência de sintomas) e requerem tratamento precoce visando evitar complicações (infarto, AVC) ou dano orgânico irreversível. Nesses casos, o diagnóstico de hipertensão arterial e diabetes fica estabelecido e o tratamento precoce deve ser instituído, mesmo na ausência de sintomas.


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