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O Dr. Gilberto Lahorgue Nunes responde as questões mais comuns sobre a sua atividade.

Quais doenças um médico cardiologista trata?

O cardiologista faz o diagnóstico e o tratamento das doenças que envolvem o coração e o sistema cardiovascular. As doenças mais frequentemente tratadas pelo cardiologista são a pressão alta (hipertensão arterial), as obstruções das artérias coronárias (vasos que irrigam o músculo cardíaco), as doenças das válvulas cardíacas, as arritmias cardíacas e a insuficiência cardíaca (“coração dilatado”).

Quando procurar um cardiologista?

Deve-se procurar o cardiologista na presença de sintomas sugestivos da presença de doenças cardíacas, tais como a dor no peito, o cansaço, a falta de ar e as palpitações. Geralmente, recomenda-se que a partir dos 40 anos de idade, todas as pessoas façam uma avaliação cardiológica de rotina. Pessoas que tenham histórico de doença cardíaca na família ou que apresentem fatores de risco tais como diabetes, hipertensão, fumo, obesidade ou aumento do colesterol devem fazer esta avaliação mais precocemente.

O que perguntar em uma consulta ao cardiologista?

Durante a consulta com o cardiologista, o paciente deve relatar todos os sintomas que apresenta assim como informar se é portador de algum fator de risco para as doenças cardiovasculares ou se algum familiar de primeiro grau (pais, avós, irmãos/irmãs) é portador de algum tipo de doença cardiovascular ou apresentou morte súbita. O paciente deve perguntar sobre como adotar um estilo de vida mais saudável e que diminua o seu risco de desenvolver doenças do coração.

O que faz um cardiologista intervencionista?

O cardiologista intervencionista é um cardiologista que tem especialização na área de tratamento das doenças cardiovasculares por cateter. Isso inclui o tratamento das obstruções das coronárias, das doenças das válvulas cardíacas e de outras doenças que envolvam as artérias do corpo.



 

Infarto do miocárdio é a oclusão aguda ou súbita de uma coronária – artéria que irriga uma parte do músculo cardíaco –, levando a uma isquemia aguda, ou seja, à falta de oxigenação desse tecido do coração. Essa falta de oxigenação aguda pode ocasionar a morte desse tecido caso não seja instituído um tratamento precoce.

Geralmente a dor do infarto tem características e localização muito parecidas com a dor de angina, ou seja, geralmente é do lado esquerdo do peito ou na porção central do tórax, atrás do osso esterno. Ela é em peso, aperto ou queimação, mas com uma intensidade muito superior a dor de angina. Além disso, frequentemente a dor de infarto está associada ao suor frio, náuseas e, eventualmente, vômitos.

Ao perceber os sintomas – dor prolongada e intensa, surgindo em repouso –, deve-se entrar em contato imediatamente com o serviço de emergência para ser atendido, de preferência em casa, e ser levado de ambulância para o hospital. Isso porque, na grande maioria dos casos, as complicações mais imediatas do infarto são devido às arritmias cardíacas, que podem levar a uma parada cardíaca. Então, se essa arritmia acontece dentro de uma ambulância equipada, é muito mais fácil revertê-la. Evidentemente que, se o auxílio de uma ambulância for demorado e for mais rápido acessar o atendimento com um veículo próprio, essa alternativa deve ser implementada.

Chegando ao hospital, é feito um eletrocardiograma para confirmar o diagnóstico de infarto. Também são feitas medicações que bloqueiam as plaquetas e afinam um pouco o sangue. Na sequência, esse paciente deve ser submetido a um cateterismo cardíaco em caráter de urgência, para identificar a artéria responsável pelo infarto e proceder a desobstrução da mesma, com a realização da angioplastia e da colocação de próteses metálicas, os stents.

Esse tipo de tratamento salva vidas, diminuindo de maneira expressiva a mortalidade associada à fase aguda do infarto do miocárdio.

Se a pessoa mora em uma região onde não há hospital equipado para realizar o cateterismo cardíaco de urgência e a angioplastia, esse paciente deve ser submetido no ambiente hospitalar a um tratamento com trombolíticos. Essa medicação é aplicada na veia e dissolve o coágulo que se forma em cima da placa de gordura, permitindo uma passagem parcial de sangue, aliviando os sintomas e permitindo que o músculo não morra, como aconteceria se a coronária permanecesse obstruída. Esse tipo de tratamento serve como ponte para posterior realização do cateterismo cardíaco – em 24/48 horas no máximo, o paciente deve ser transferido para um centro mais equipado e ser submetido ao cateterismo e à angioplastia.



No dia 14 de novembro, celebra-se o Dia Mundial do Combate ao Diabetes, uma doença que tem se tornado uma verdadeira pandemia mundial. Dados do Ministério da Saúde contabilizam um total de aproximadamente 16 milhões de diabéticos no Brasil. A incidência aumenta com o envelhecimento, acometendo mais de 20% da população com idade acima dos 65 anos, sendo que o diabetes anda de mão dadas com outra epidemia nacional, a obesidade.

Projeções feitas a partir de estudos epidemiológicos indicam que até 2045 haverá um aumento de 55% ou mais no número de diabéticos no nosso país, com um impacto expressivo em termos de saúde pública.

O diabetes é um conhecido fator de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares, como o infarto e o acidente vascular cerebral. Além disso, os diabéticos estão mais propensos a desenvolver hipertensão arterial e aumento dos níveis de colesterol. Pacientes adultos com diabetes apresentam um risco duas a quatro vezes maior de morrer de doenças cardíacas do que os não-diabéticos.

O que podemos fazer para impedir o alastramento dessa doença e das suas consequências?

Mudanças simples no estilo de vida exercem um efeito poderoso na prevenção do desenvolvimento do diabetes. Dados do Diabetes Prevention Program dos Estados Unidos mostraram uma redução de 58% na incidência da doença ao final de três anos de acompanhamento com a perda de 7% do peso corporal e a realização de atividade física de moderada intensidade por 150 minutos por semana.

Outra medida fundamental é o diagnóstico precoce, especialmente em pessoas com obesidade/sobrepeso, hipertensão arterial ou com história de diabetes na família. O diagnóstico e tratamento precoce do diabetes são fundamentais para prevenir a ocorrência de dano ao coração, ao cérebro e aos rins.

Finalmente, novos medicamentos recentemente aprovados para o uso clínico, são capazes de reduzir a ocorrência de morte por causas cardiovasculares e a progressão do comprometimento da função dos rins. Em resumo, podemos sim controlar a epidemia do diabetes usando o tripé prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado!

 

Fonte: JC – 13/11/2020



 

Uma dúvida muito frequente é sobre o que é a angina. Se é uma doença cardíaca, como deve ser tratada?

Na verdade, a angina é um sintoma. É uma dor, geralmente, no lado esquerdo do peito ou na porção central do tórax, atrás do osso esterno. Normalmente, tem uma característica de aperto ou de peso. Mais raramente, pode se manifestar como uma queimação, muitas vezes se confundindo com um sintoma gástrico.

Classicamente, a angina surge quando a pessoa faz algum tipo de esforço físico – subir uma escada, acelerar o passo – e, tradicionalmente, alivia em poucos minutos, assim que a pessoa cessa a atividade que a provocou.

A angina é uma manifestação clínica de uma obstrução de alguma artéria coronária por uma placa de gordura. As artérias coronárias são aquelas que irrigam o músculo cardíaco. Quando o fluxo de sangue é diminuído pela existência de uma obstrução, o sinal de alerta que o coração emite é justamente a dor de angina.

Tratamento – Quando a pessoa começa a apresentar esse sintoma, é muito importante que ela procure consultar com um cardiologista para avaliar a extensão do problema e, eventualmente, definir qual o melhor tratamento a ser empregado, que pode ser apenas com medicações ou com a realização de um exame invasivo, chamado cateterismo cardíaco.

O cateterismo cardíaco vai identificar aonde são as obstruções, se comprometem uma ou mais coronárias, e, eventualmente, definir se há necessidade de um tratamento diferente, que pode ser a angioplastia com colocação de stent

s coronários (próteses metálicas que mantêm o vaso aberto) ou, numa minoria de pacientes, a necessidade de fazer uma cirurgia de peito aberto com a colocação de pontes de safena.

Em alguns casos, geralmente naqueles pacientes que tiveram dor em um esforço físico e não procuraram um cardiologista para investigar, pode se instalar um quadro de angina instável – quando a dor começa a aparecer cada vez mais com menos quantidade de esforço, com maior frequência e maior intensidade ou até com a pessoa parada, sem fazer nenhuma atividade físico. Nesses casos, é preciso ação imediata, o paciente deve procurar uma emergência de algum hospital, pois eventualmente, pode haver a necessidade de se realizar um cateterismo de urgência devido à gravidade do quadro.

O reconhecimento desse sintoma e o seu tratamento adequado impedem que o quadro possa progredir para um infarto agudo do miocárdio.




 

O fumo representa uma das principais causas das doenças cardiovasculares. Estima-se que uma a duas mortes, entre cada 10 que ocorrem no mundo anualmente, sejam devidas ao hábito de fumar. Existe um impacto negativo do tabagismo sobre alguns fatores de risco cardiovasculares, como a intolerância aos carboidratos e os baixos níveis do colesterol protetor, o chamado HDL colesterol.

Outro fator importante é o efeito potencializador do fumo sobre os demais fatores de risco para doença cardiovascular, como hipertensão, diabete e níveis elevados do colesterol ruim (o LDL colesterol). Quando a pessoa fuma e tem um desses fatores de risco adicionalmente, o risco de desenvolver complicações cardiovasculares sérias aumenta em quatro vezes. Se, por outro lado, a pessoa fuma e possui dois desses fatores de risco, a chance de um evento grave cardiovascular aumenta em oito vezes.

Além das doenças cardíacas, como infarto e angina, o tabagismo também provoca o acidente vascular cerebral (AVC), os aneurismas de aorta e as obstruções das artérias dos membros inferiores.

É importante ressaltar que, mesmo pessoas que fumam pouco – menos de cinco cigarros por dia –, também apresentam maior risco de desenvolver essas doenças. E mais importante ainda: existe uma correlação entre o número de cigarros que se fuma por dia e o aumento do risco cardiovascular, ou seja, quanto maior o número de cigarros consumidos por dia, maior o risco de infarto e AVC.

A cessação do fumo é extremante benigna para o indivíduo. O risco cardiovascular cai ano após ano após a interrupção do hábito de fumar. Estima-se que após um ano, pelo menos, de abstinência do tabagismo, exista uma redução de 50% do risco cardiovascular. E, ao final de 10 anos de abstinência do fumo, esse risco cardiovascular se iguala ao risco de indivíduos que nunca fumaram.

No Brasil, felizmente, graças às campanhas de conscientização, houve uma redução de 40% na taxa de fumantes nos últimos anos. Em 2006, aproximadamente 15% da população brasileira fumava. Já em 2018, esse número caiu para menos de 10%. Lamentavelmente, algumas capitais, como Porto Alegre, Curitiba e São Paulo, ainda apresentam uma porcentagem de fumantes acima da média nacional de 10%.

Parar de fumar não é uma tarefa fácil, mas deve ser perseguida com afinco, pois é capaz de reduzir de maneira expressiva o risco cardiovascular. A fim de conseguir vencer a dependência química e física causada pelo hábito de fumar são fundamentais o acompanhamento médico, o uso de medicações e outras formas de tratamento como, por exemplo, a terapia cognitiva comportamental.

O tabagismo ainda é um problema de saúde pública no nosso país e deve ser combatido de maneira intensiva. A conscientização dos riscos do tabagismo, tanto em relação às doenças cardiovasculares quanto aos cânceres, deve ser enfatizada à toda a população, e auxílio deve ser prestado àqueles que fumam e desejam parar de fumar, a fim de que a ocorrência das doenças cardiovasculares associadas ao uso do tabaco possa ser reduzida expressivamente no Brasil.

 

Artigo publicado no site do Jornal do Comércio em 28/08/20.

 




 

As elevações dos níveis de colesterol estão na origem da maioria das doenças cardiovasculares, tais como o infarto do coração e o acidente vascular cerebral (AVC). Essas doenças representam a maior causa de mortalidade na população adulta no Brasil.

Existem, basicamente, dois tipos de colesterol: o chamado LDL colesterol ou colesterol ruim e o HDL colesterol ou colesterol bom. O LDL colesterol é o que se deposita nas paredes dos vasos sanguíneos, dando início a um processo chamado aterosclerose. Já, o HDL tem por função retirar o LDL da parede do vaso e fazer a sua metabolização no fígado.

Existe uma relação linear entre os níveis de LDL e a ocorrência de doenças cardiovasculares. Quanto maior o nível de colesterol ruim maior o risco de uma pessoa desenvolver infarto, AVC ou morte súbita.

De modo geral, recomenda-se a avaliação do risco cardiovascular em pessoas sem fatores de risco a partir dos 40 anos de idade, quando são medidos os níveis de colesterol e determinado o risco cardiovascular desse indivíduo. Dessa forma, pode-se selecionar qual a melhor opção de tratamento para esse paciente. Para pessoas com histórico de morte súbita precoce na família (< 55 anos para homens e < 65 anos para as mulheres), com casos de hipercolesterolemia familiar (defeito genético que causa elevação marcada do nível das gorduras no sangue) ou com outros fatores de risco para doença cardiovascular (fumo, hipertensão arterial, diabetes, obesidade), recomenda-se que a avaliação inicial seja realizada a partir dos 20 anos de idade.

Em linhas gerais, a primeira estratégia a ser empregada é a mudança do estilo de vida, ou seja, a realização de exercícios físicos regulares (de moderada intensidade, com duração de pelo menos 30-40 minutos, quatro a cinco vezes por semana), a adoção de uma dieta mais saudável (rica em fibras, verduras, frutas, oleaginosas, óleo extravirgem, peixes, e evitando o consumo de carnes vermelhas ou processadas), perda peso e interrupção do fumo. Se os níveis de colesterol forem muito elevados – LDL colesterol acima de 190 mg/dL –, além dessas medidas gerais, é fundamental também a prescrição de medicamentos específicos para reduzir os seus níveis, mesmo na ausência de outros fatores de risco. Nos pacientes com outros fatores de risco associados, o emprego de medicações que reduzem o colesterol deve ser considerado quando o LDL é superior a 160 mg/dL.

Em resumo, os níveis elevados do colesterol (especialmente do colesterol LDL) contribuem para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares causadas pela aterosclerose (como o infarto e o AVC). A identificação precoce dos seus níveis elevados é fundamental para prevenir a ocorrência destas doenças, evitar as suas consequências e, dessa forma, prolongar a vida. As estratégias de prevenção incluem a adoção de um estilo de vida mais saudável (dieta associada à atividade física regular), o controle adequado dos outros fatores de risco (hipertensão, diabetes, fumo) e, dependendo do perfil de risco do indivíduo, o uso de medicamentos que reduzem os níveis do colesterol no sangue.




 

Ao contrário do que se acredita leigamente, a hipertensão é uma doença que, na maioria dos casos se instala sem causar absolutamente nenhum sintoma ao paciente. Existe um mito popular de que o aumento da pressão causa dor de cabeça. Estudos têm demonstrado que essa crença não tem nenhum fundamento. É mais provável que a pressão aumente pelo desconforto causado por uma crise de cefaleia muito intensa do que o contrário, ou seja, a dor de cabeça é que pode desencadear um aumento transitório da pressão arterial.

A hipertensão arterial é definida como uma medida da pressão máxima (ou sistólica) maior ou igual a 140 milímetros de mercúrio e da pressão mínima (ou diastólica) maior ou igual a 90 milímetros de mercúrio. A única situação clínica na qual a pressão arterial elevada pode causar dor de cabeça é quando acontece a chamada crise hipertensiva. Nesse caso, o aumento muito agudo e importante da pressão arterial leva a um comprometimento cerebral (devido ao edema cerebral) o que pode provocar dor de cabeça, alterações visuais e mesmo alterações sensoriais ou da consciência.

Essa é uma situação felizmente rara devido ao fato de que hoje em dia o diagnóstico da hipertensão geralmente tem sido feito mais precocemente, devido às campanhas de esclarecimento e educação da população. “À medida que envelhecemos, a probabilidade de nos tornarmos hipertensos aumenta. Por isso, a importância da consulta médica de rotina, que é quando a maioria dos pacientes é diagnosticada com essa doença”, recomenda o cardiologista Gilberto Lahorgue Nunes. A hipertensão é uma doença potencialmente grave. Se não tratada, pode levar a uma série de complicações tanto cardíacas quanto renais ou cerebrais.

A partir dos 35, 40 anos, é recomendada a realização de avaliações médicas periódicas, especialmente naquelas pessoas com histórico familiar de hipertensão ou doenças cardíacas. Casos de emergência, como as crises hipertensivas, devem ser tratadas nas emergências dos hospitais, pois representam situações de alto risco para o desenvolvimento de complicações agudas. Nesses casos, frequentemente é necessária a utilização de medicações por via endovenosa visando obter um controle mais adequado dos níveis de pressão.

Um lembrete também importante: cuide bem da sua pressão, não abuse do sal, exercite-se com regularidade e mantenha uma dieta balanceada e saudável.



 


 

O tratamento das doenças cardíacas estruturais por cateter representa a nova fronteira da cardiologia intervencionista.
Cada vez mais, os tratamentos por cateter vêm sendo aplicados com bons resultados, especialmente em pacientes nos quais a cirurgia de peito aberto é contraindicada ou de alto risco.
Com certeza, a sua utilização e o refinamento dos seus resultados irá revolucionar o tratamento de uma série de doenças cardíacas, tornando-se uma alternativa extremante eficaz e menos invasiva do que a cirurgia de peito aberto.
O Dr. Gilberto Lahorgue Nunes aborda o tema neste vídeo, apontando a técnica como alternativa.

A Cardiologia Intervencionista é uma subespecialidade da Cardiologia que envolve todos os tratamentos passíveis de serem feitos por cateter. Durante muitos anos, foi sinônimo de tratamento das obstruções das artérias coronárias como uma alternativa a cirurgia de ponte de safena.

Em anos recentes, houve uma expansão das indicações e das técnicas de tratamento por cateter para permitir também a abordagem das doenças que acometem as válvulas cardíacas e das doenças cardíacas que podem levar ao acidente vascular cerebral (AVC).

Com relação às válvulas, já está comprovado, por vários estudos clínicos controlados, que o implante de uma válvula por cateter para o tratamento de uma doença chamada estenose (estreitamento) da válvula aórtica leva a resultados tanto imediatos quanto tardios tão bons quanto os da cirurgia convencional de peito aberto.

Essa equivalência de resultados foi demonstrada em todos os subgrupos de pacientes com estreitamento da válvula aórtica, quer seja aqueles com risco cirúrgico baixo, alto, ou mesmo naqueles pacientes nos quais o risco é proibitivo e a cirurgia contraindicada.

Mais recentemente, começaram a ser realizadas intervenções para o tratamento da válvula mitral, especificamente para tratar uma doença chamada insuficiência da válvula mitral. Nos pacientes portadores dessa doença, a válvula mitral não faz a vedação de forma adequada, permitindo o refluxo de sangue para os pulmões e levando a um quadro de insuficiência cardíaca. Estudos clínicos controlados demonstraram que a colocação por cateter de um clipe nessa válvula pode fazer com que a evolução desses pacientes seja melhorada em relação ao tratamento clínico com medicamentos. Em um desses estudos (e que incluiu um número maior de pacientes) foi demonstrado que, ao final de dois anos de acompanhamento, houve uma redução da taxa de mortalidade dos pacientes que foram submetidos ao tratamento por cateter.

Uma outra área na qual os procedimentos por cateter têm demonstrado bons resultados é na prevenção dos acidentes vasculares cerebrais (“derrames” cerebrais) provocados por liberação de coágulos a partir do coração e a sua embolização para as artérias do cérebro.

Existem duas situações básicas nas quais esse fenômeno pode acontecer. Na primeira delas, uma falta de fechamento da membrana (septo) que separa as cavidades superiores do coração (chamadas de átrios direito e esquerdo) pode permitir que coágulos formados nas veias das pernas possam cruzar para o lado esquerdo do coração e causarem a obstrução temporária ou permanente de uma artéria que irriga o cérebro. Em pacientes jovens, com menos de 55 anos e que já tenham sofrido uma isquemia cerebral sem causa aparente, o fechamento por cateter do defeito do septo que separa os átrios reduz de maneira significativa a ocorrência de um novo acidente vascular cerebral em comparação com o tratamento com medicamentos.

A segunda situação envolve os pacientes portadores de uma arritmia cardíaca chamada de fibrilação atrial, na qual o uso de anticoagulantes (medicamentos que impedem o sangue de coagular) são indicados para prevenir a embolização de coágulos para o cérebro. Nos pacientes que apresentam alto risco de sangramento ou que tenham contraindicação ao uso dos anticoagulantes, a oclusão por cateter de uma cavidade intracardíaca chamada apêndice atrial esquerdo (aonde a maioria dos coágulos são formados) é uma alternativa segura e eficaz de prevenção do acidente vascular cerebral embólico. Além disso, este tratamento por cateter confere uma proteção contra o risco de sangramento associado ao uso prolongado dos anticoagulantes.




 

Nesse período de isolamento social, um fenômeno tem chamado a atenção. Pacientes portadores de doenças crônicas, especialmente na área da cardiologia, como hipertensão, insuficiência cardíaca ou obstrução de coronárias, não têm procurado ou têm descontinuado o acompanhamento médico por medo de comparecer ao consultório e se contaminar com o novo coronavírus.

Também tem se observado uma redução expressiva no número de pacientes com infarto e outras situações cardiológicas agudas nas emergências dos hospitais.

Estudos, tanto feitos no exterior quanto no Brasil, mostram que paralelamente a isso e, provavelmente como consequência desse tipo de atitude das pessoas, está ocorrendo um aumento do número de paradas cardíacas em casa.

O Dr. Gilberto ressalta que o fato de estarmos em meio a uma pandemia não significa que possamos ignorar o acompanhamento e tratamento de outras doenças crônicas, que podem ser tão importantes quanto a Covid-19.

Consultórios estão adotando todo um conjunto de medidas para minimizar o risco de contaminação e garantir a segurança no atendimento aos seus pacientes.

Uma alternativa também disponibilizada pelos consultórios é o atendimento remoto, por meio da telemedicina, que pode ser realizada por aplicativos de computador ou ainda, de forma mais simples, por vídeo-chamadas no celular.

O cardiologista enfatiza que é fundamental que pacientes cardiopatas continuem com seus acompanhamentos médicos. E mais importante ainda: havendo algum sintoma cardiológico agudo – como dor no peito intensa, falta de ar marcada sem estar associada à infecção de coronavírus, taquicardia e outras arritmias, tonturas levando a desmaios –, esses pacientes devem procurar as emergências de hospitais. O risco de uma complicação grave e até fatal é muito maior do que o eventual risco de contaminação por procurar o atendimento de emergência.

O acompanhamento médico é essencial. As doenças cardiológicas não podem ser negligenciadas durante a pandemia.


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