agosto 2026 | Dr. Gilberto Nunes Cardiologista Porto Alegre agosto 2026 | Dr. Gilberto Nunes Cardiologista Porto Alegre

Pesquisa com mais de 276 mil pessoas reforça as evidências sobre a relação entre a vacinação contra influenza e a saúde cardiovascular. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação anual contra a gripe entre as medidas de prevenção de um novo infarto.

A vacinação contra a gripe pode ter um papel que vai além da prevenção da influenza e de suas complicações respiratórias. Um novo estudo publicado no *European Heart Journal* e divulgado pelo American College of Cardiology (ACC) encontrou associação entre a vacinação contra influenza e um risco menor de fibrilação atrial e de outros eventos cardiovasculares.

A pesquisa avaliou dados de 276.888 pessoas e comparou dois grupos com características semelhantes: pessoas que haviam recebido a vacina contra influenza e pessoas sem registro de vacinação no período analisado.

Durante um acompanhamento médio de 2,7 anos, a vacinação esteve associada a um risco 20% menor de desenvolver fibrilação atrial, uma das arritmias cardíacas mais comuns. A incidência anual foi de 0,9% entre os vacinados e de 1,1% entre os não vacinados.

Os pesquisadores também observaram, entre os vacinados, menores riscos de infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, hospitalizações por causas cardiovasculares e mortalidade por todas as causas.

O que a gripe tem a ver com o coração?

Embora seja lembrada principalmente como uma infecção respiratória, a influenza provoca uma resposta inflamatória em todo o organismo.

Essa inflamação pode aumentar a demanda sobre o sistema cardiovascular, favorecer alterações na coagulação e contribuir para a instabilidade de placas de aterosclerose. Em pessoas que já apresentam doença cardiovascular, a infecção também pode contribuir para a descompensação de condições preexistentes.

É por isso que uma gripe pode representar um risco maior para pessoas com doenças cardíacas e, em determinadas situações, funcionar como um gatilho para eventos cardiovasculares.

Vacinação e fibrilação atrial

A fibrilação atrial é uma arritmia caracterizada por batimentos irregulares do coração e está associada, entre outras complicações, a um aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC).

No novo estudo, a vacinação contra influenza esteve associada a menor ocorrência dessa arritmia tanto em pessoas com doença cardiovascular prévia quanto naquelas sem doença cardiovascular conhecida.

Os resultados acrescentam uma nova informação às evidências já existentes sobre os possíveis benefícios cardiovasculares da vacinação contra a gripe.

Isso não significa, porém, que se possa afirmar que a vacina contra influenza previne diretamente a fibrilação atrial.

O estudo é observacional. Portanto, identifica uma associação entre vacinação e menor risco, mas não permite estabelecer uma relação direta de causa e efeito. Os próprios pesquisadores destacam a necessidade de estudos randomizados específicos para avaliar essa possibilidade.

Vacina contra a gripe faz parte da prevenção de um novo infarto

No Brasil, a relação entre influenza e saúde cardiovascular já faz parte das orientações para pacientes que tiveram um infarto.

O Ministério da Saúde inclui a *vacinação anual contra influenza entre as medidas de prevenção secundária após o infarto agudo do miocárdio*.

Prevenção secundária é o conjunto de cuidados adotados depois que uma pessoa já apresentou uma doença ou evento cardiovascular, com o objetivo de reduzir o risco de recorrência e de novas complicações.

A vacinação, portanto, soma-se a outras medidas importantes após um infarto, como controle adequado da pressão arterial e do colesterol, abandono do cigarro, atividade física conforme orientação médica, alimentação equilibrada e uso correto das medicações prescritas.

Por que a vacinação merece atenção especial em pacientes cardiovasculares?

Pessoas com doenças cardiovasculares apresentam maior risco de complicações quando desenvolvem influenza.

Além dos pacientes que já sofreram um infarto, pessoas com outras doenças cardíacas ou fatores de risco cardiovascular devem conversar com o médico e manter seu calendário de vacinação atualizado de acordo com as recomendações para sua idade e condição clínica.

A vacinação não substitui os demais cuidados de prevenção cardiovascular. Ela integra um conjunto de medidas destinadas a reduzir riscos e proteger a saúde.

O novo estudo publicado no European Heart Journal reforça justamente uma relação que vem recebendo atenção crescente da medicina: prevenir determinadas infecções também pode ser uma forma de cuidar do coração.

Fontes: https://academic.oup.com | https://www.acc.org


Dr. Gilberto Nunes | Clínica Cardiologista Porto Alegre