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A ablação da artéria septal com cateter e uso de uma nova substância serve para tratar a miocardiopatia hipertrófica forma obstrutiva. Essa é a principal causa da morte súbita de adultos jovens e de atletas

 

Um procedimento cardíaco inovador foi realizado pela primeira vez no Rio Grande do Sul na sexta-feira, 4 de novembro, no Hospital Divina (HD). Um paciente de 40 anos, procedente de Canoas, foi submetido a uma ablação da artéria septal. Esta técnica não invasiva é utilizada para tratar a miocardiopatia hipertrófica forma obstrutiva.

Procedimento cardíaco inédito no RS realizado no Hospital Divina Providência

O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes, Cardiologista Intervencionista do Hospital Divina Providencia, explica que essa é uma doença de fundo genético. ”Ocorre quando o septo interventricular, a porção da musculatura que divide os ventrículos esquerdo e direito, fica anormalmente e desproporcionalmente hipertrofiada, ou seja, mais espessa do que o restante das paredes do ventrículo esquerdo.”

Conforme o cardiologista, isso provoca uma obstrução dinâmica à ejeção do sangue do coração, causando os sintomas de tontura, eventualmente dor no peito, falta de ar e, em casos mais graves, pode causar morte repentina. “A miocardiopatia hipertrófica forma obstrutiva é a principal causa de morte súbita em adultos jovens e em atletas”, acrescenta.

 

Tratamento convencional

O Dr. Gilberto relata que no tratamento clássico dessa doença, o cirurgião cortava um pedaço desse músculo hipertrofiado, mais grosso, aliviando a obstrução. Há vários anos, existe a alternativa do tratamento menos invasivo por cateter. Através do cateterismo, é identificada a artéria septal que irriga a porção mais espessada, mais volumosa desse músculo cardíaco na parede septal.

O tratamento mais convencional era a injeção de álcool absoluto, a 100%, para provocar um “infarto controlado” naquela região e, consequentemente, fazer o músculo reduzir de espessura, já que essa é a evolução natural após um infarto.
“O álcool absoluto é muito irritativo e esse procedimento estava associado a algumas complicações como o surgimento de arritmias ventriculares graves durante o exame e de bloqueios cardíacos após a realização da ablação da artéria septal”, revela o cardiologista.

Segundo ele, em alguns casos, era necessário o implante de um marcapasso cardíaco. “Dependendo da quantidade de álcool que se injeta, existe o risco de provocar uma perfuração do músculo cardíaco, causando uma complicação chamada de comunicação interventricular, ou seja, um “furo” entre os dois ventrículos.”

 

Inovação e vantagens

O procedimento realizado no HD, que ainda está em fase de acúmulo de experiência no Brasil, trata a doença por cateter, mas sem injetar álcool absoluto. O cardiologista diz que é utilizada uma substância chamada Ônix que são micropartículas, usadas para embolização na área da Neurologia e de malformações arteriovenosas na circulação periférica.

As vantagens observadas com esse novo tipo de tratamento é a drástica redução de complicações, raras ocorrências de arritmias e de bloqueios, evitando a necessidade de implante de marcapasso.

O Dr. Sidney Munhoz, de Cuiabá (MT), que atualmente tem a maior experiência nacional com essa técnica alternativa, foi convidado a participar do procedimento junto com a equipe, formada pelos médicos Gilberto Lahorgue Nunes e Diane Cláudia Roso (Cardiologistas Intervencionistas) e Júlia Schmidt Silva Busato (anestesista).

O procedimento foi bastante complexo pois, ao contrário do que ocorre na maioria dos casos, mais de um ramo coronariano irrigava a porção mais hipertrofiada do septo interventricular. Desta forma, foi necessária a embolização de 4 ramos diferentes. O gradiente (diferença de pressão) registrado dentro da cavidade do ventrículo esquerdo foi reduzido de 53 mmHg para 15 mmHg. O critério de sucesso para este tipo de procedimento exige que o gradiente final pós-tratamento seja inferior a 30 mmHg.

Num caso como este, se a técnica convencional com injeção de álcool absoluto fosse utilizada, o risco de complicações sérias seria muito alto pelo grande volume de álcool a ser injetado. Muito provavelmente, com esta técnica seria necessário repetir o procedimento mais de uma vez para poder completar o tratamento com segurança.

Ao contrário, utilizando a nova técnica com o uso da substancia Onix, foi possível embolizar todos os ramos envolvidos sem o surgimento de arritmias, bloqueios cardíacos ou outras complicações. O paciente evoluiu muito bem após o procedimento, tendo recebido alta 48 horas após o procedimento.

Para saber mais, confira a entrevista do Dr. Gilberto ao programa Rio Grande no Ar, na TV Record (primeiro vídeo), e no Tudo por Você, da RDCTV Digital.

Cardiologista Cardiologista Dr. Gilberto Nunes | Porto Alegre 111122 foto dr na record

Cardiologista Cardiologista Dr. Gilberto Nunes | Porto Alegre 111122 foto dr no programa



Prevenção salva. E, para prevenir, é preciso conhecer o que causa a doença. O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes esclarece o que causa a insuficiência cardíaca.

O coração funciona como uma bomba, que impulsiona o sangue pelas artérias do nosso corpo. Uma medida de desempenho dessa função de bomba do coração é a chamada fração de ejeção. Quando o coração funciona normalmente, essa medida situa-se acima de 50%.

Cardiologista Cardiologista Dr. Gilberto Nunes | Porto Alegre Estenose scaled

Quando existe algum dano no músculo cardíaco, esse “enfraquecimento” leva a um quadro de insuficiência cardíaca, caracterizada por falta de ar ou cansaço ao fazer esforços.

As principais causas que levam o músculo cardíaco a essa condição, comprometendo o seu funcionamento como bomba, são as obstruções das coronárias, as doenças das válvulas cardíacas (estenose ou insuficiência) e os quadros de infecção ou inflamação do músculo cardíaco (miocardite).

É fundamental identificar a causa da disfunção do músculo cardíaco. Em muitos casos, ao resolver o problema de base é possível reverter a disfunção do músculo cardíaco e normalizar a fração de ejeção. Com essas medidas, é possível melhorar ou eliminar os sintomas e, também, aumentar o tempo de vida dos pacientes.



Uma pergunta frequente entre os pacientes da clínica do médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes, em Porto Alegre, é sobre como são os tratamentos, entre eles o tratamento do infarto agudo do miocárdio.

Como é o tratamento de IAM?
Como é o tratamento de IAM?

O infarto agudo do miocárdio (IAM), caracterizado por uma dor forte no peito que surge em repouso, é causado pela oclusão total e súbita de uma artéria coronária. As artérias coronárias são os vasos que irrigam o músculo cardíaco. O fechamento dessa artéria de forma aguda provoca a falta de oxigenação do músculo cardíaco, o que se manifesta como um infarto ou morte súbita.

O tratamento de escolha para o infarto agudo do miocárdio é o implante de um pequeno tubo metálico (stent) na coronária afetada. O procedimento pode ser realizado tanto por punção de uma artéria na virilha quanto no pulso, que é o chamado acesso radial. Atualmente, o emprego do acesso radial é o mais indicado, pois está associado a menores complicações locais (como os hematomas e outras complicações relacionadas à punção da artéria).

Já está amplamente demonstrado que o tratamento por cateter do IAM com o implante de stent reduz de maneira expressiva o risco de morte relacionado a essa doença e, também, os riscos de ocorrência de outras complicações como o reinfarto e a insuficiência cardíaca.

Muito embora o IAM possa ocorrer de maneira súbita, em um grande número de casos ele é precedido por algum tipo de sintoma que, por vezes, não é valorizado pelo paciente. Desconforto abdominal (que pode ser confundido com indisposição gástrica), dores nos braços, nas costas ou na mandíbula, suor excessivo, cansaço inexplicável ou sensação de folego curto são alguns destes sintomas que prenunciam a ocorrência de um infarto.

Ao perceber os sintomas do infarto, o paciente deve entrar em contato imediatamente com um serviço de atendimento domiciliar de emergência (como o SAMU) ou ser levado imediatamente ao hospital, a fim de que o tratamento dessa grave doença possa ser imediatamente instituído. Parafraseando um dito popular, no IAM “tempo é músculo”, ou seja, quanto mais rapidamente o paciente for atendido e a coronária desobstruída, menor será o risco de morte e de outras complicações.



O hábito de fumar está relacionado a uma série de doenças, desde os cânceres até as doenças pulmonares (bronquite e enfisema). Do ponto de vista das doenças cardiovasculares, o impacto do fumo é extremante nocivo, sendo um importante fator de risco para a ocorrência de infarto do coração, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças da aorta e das artérias periféricas.

Além de um impacto direto na origem dessas doenças, o fumo potencializa os efeitos danosos dos demais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, como hipertensão, o diabete e os níveis elevados do colesterol ruim (o LDL colesterol). Quando a pessoa fuma e tem um desses problemas, a possibilidade de desenvolver complicações cardiovasculares sérias aumenta em quatro vezes.

Impacto do fumo doenças cardiovasculares
Outro dado importante é que existe uma correlação entre o número de cigarros que se fuma por dia e o aumento do risco cardiovascular, ou seja, quanto maior o número de cigarros consumidos por dia, maior o risco de infarto e AVC. Adicionalmente, o hábito do fumo afeta não apenas o fumante, mas também as pessoas que convivem ao seu redor. O chamado “fumante passivo” tem o seu risco cardiovascular elevado em comparação às pessoas que não são expostas de maneira rotineira à fumaça do cigarro

A cessação do fumo reveste-se de grande importância, pois o tabagismo é um dos poucos fatores de risco para a saúde que pode ser completamente eliminado. E o efeito positivo dessa atitude é praticamente imediato. O risco cardiovascular é reduzido de maneira expressiva e progressiva a cada ano que passa após a interrupção do hábito de fumar, de maneira que, após 10 anos, o risco de sofrer um infarto ou AVC é semelhante entre o ex-fumante e aquele indivíduo que nunca fumou.

Além do cigarro causar dependência psicológica, os seus componentes provocam uma dependência química semelhante a desencadeada pelas drogas. Consequentemente, para conseguir ser bem-sucedido na tarefa de parar de fumar, o paciente necessita de uma ampla rede de apoio, que inclui a família, os amigos, os profissionais da saúde e em muitos casos, a prescrição de medicações.

Saudado inicialmente como uma ferramenta para auxiliar na cessação do tabagismo, os cigarros eletrônicos representam atualmente um grave problema de saúde pública. A sua extensa e rápida penetração em várias parcelas da população (especialmente nos jovens e adolescentes) deixaram absolutamente clara a sua associação com doenças pulmonares graves, a tal ponto que a sua comercialização foi proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2009.

É tarefa de toda a sociedade (e não apenas dos órgãos governamentais e profissionais da saúde) manter o engajamento antitabagismo que existe há vários anos e combater com igual vigor a sua variante mais recente, o tabagismo eletrônico.



A clínica do médico cardiologista Dr. Gilberto Nunes, em Porto Alegre, passa a realizar dois novos tratamentos: reparo percutâneo da válvula mitral – Mitra Clip e o fechamento do apêndice atrial esquerdo.

A válvula mitral é uma válvula localizada dentro do coração e que conecta o átrio esquerdo (cavidade que recebe o sangue oxigenado vindo do pulmão) ao ventrículo esquerdo (que bombeia o sangue para todo o corpo inteiro através da artéria aorta). Essa válvula pode ficar insuficiente (ou seja, apresentar uma vedação incompleta durante a contração do coração, permitindo o vazamento de sangue de volta para o pulmão) devido a uma degeneração dos seus folhetos ou em situações nas quais as cavidades do coração estão dilatadas, afastando um folheto do outro. O retorno do sangue para a circulação pulmonar pode desencadear quadros de insuficiência cardíaca (caracterizados pelo surgimento de falta de ar) ou até mesmo provocar um edema agudo de pulmão. Até recentemente, o único tratamento disponível para a insuficiência da válvula mitral era a cirurgia de peito aberto. Hoje em dia, é possível realizar o reparo dessa válvula por meio do implante por cateter de clips que aproximam os folhetos e reduzem o vazamento pela válvula.

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Já o fechamento ou oclusão do apêndice atrial esquerdo (cavidade cardíaca conectada ao átrio esquerdo) está indicado em pacientes que apresentam uma arritmia cardíaca chamada de fibrilação atrial que provoca a formação de coágulos no interior do apêndice. Esses coágulos podem se desprender e ocluir uma artéria do cérebro, causando um acidente vascular cerebral (AVC). Com o implante de próteses especialmente desenhadas para este fim, é possível ocluir o apêndice atrial esquerdo pela punção de uma veia localizada na virilha e evitar a risco de AVC, assim como a necessidade do uso de medicações anticoagulantes a longo prazo (reduzindo o risco de hemorragias).

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Ambos os tratamentos acima descritos são realizados por cateter, de maneira menos invasiva do que a cirurgia convencional (na qual é necessário realizar a abertura do tórax para acessar o coração). O Dr. Gilberto Lahorgue Nunes é um dos cardiologistas mais experientes no campo dos procedimentos por cateter, com ampla experiência no tratamento menos invasivo de uma série de doenças do coração.

Para saber mais sobre os novos tratamentos consulte as páginas específicas sobre cada um aqui:
Reparo percutâneo da válvula mitral – Mitra Clip
Fechamento do apêndice atrial esquerdo



O cardiologista Dr.Gilberto Lahorgue Nunes recebeu o Certificado de Habilitação na técnica de Implante por Cateter de Válvula Aórtica (TAVI), conferido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV) e pela Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI).Cardiologista Cardiologista Dr. Gilberto Nunes | Porto Alegre card tavi

Essa certificação é conferida aos cardiologistas que, reconhecidamente, possuem o conhecimento teórico e a experiência prática na realização do tratamento por cateter da estenose da válvula aórtica. Representa um selo de qualidade chancelado por duas importantes sociedades médicas que congregam, respectivamente, cirurgiões cardíacos e cardiologistas que realizam procedimentos por cateter.

Sobre o TAVI – Sigla em inglês para Transcatheter Aortic Valve Implantation (Implante Transcateter de Válvula Aórtica). Nesse procedimento, uma válvula artificial feita de material biológico é implantada, de maneira minimamente invasiva para substituir a válvula aórtica quando ela está estreitada (estenose).



O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes responde mais uma pergunta recebida pelas redes sociais da clínica.

Pacientes nos quais o implante por cateter da válvula aórtica (TAVI) é realizada com sedação permanecem acordados durante todo o procedimento. Pacientes que requerem, por alguma razão, anestesia geral acordam e são extubados ainda na sala de procedimento.

Subsequentemente, são encaminhados para a unidade de tratamento intensivo (UTI) ou para uma unidade especial com monitorização cardíaca, e lá permanecem geralmente por um período de 24 horas, visando a detecção precoce do surgimento de um bloqueio do sistema elétrico de condução do coração (que é cada vez mais raro de acontecer).

Normalmente, recebem alta para o quarto ou mesmo para casa no dia seguinte ao procedimento. De modo geral, o tempo médio de internação pós-TAVI é de 3 dias (contra 8 dias no caso da cirurgia convencional). Após a alta hospitalar, o paciente é gradualmente liberado para retomar as atividades habituais. Após 7 a 15 dias, o retorno às atividades corriqueiras é total na maioria dos casos.

 



O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes esclarece mais uma dúvida comum entre seus pacientes sobre complicações associadas ao procedimento.

O implante por cateter de válvula aórtica é um procedimento extremamente seguro e associado a um baixo risco de complicações graves. A mortalidade hospitalar é normalmente inferior a 2%.

Outras complicações como a ocorrência de sangramentos importantes no local da punção da virilha e a necessidade de implante de um marca-passo cardíaco definitivo (devido ao surgimento de um bloqueio completo do sistema de condução do impulso elétrico do coração) geralmente ocorrem em menos de 5% dos casos.

Além de estar associada a taxas de complicações iguais ou menores, outra grande vantagem da TAVI são os menores tempos de internação e de recuperação do paciente, com um retorno mais rápido às atividades habituais.

 



O tratamento da estenose aórtica é indicado nos seguintes grupos de pacientes: estenose aórtica severa e sintomática, estenose aórtica severa sem sintomas porém com comprometimento da função de bomba do coração ou com sintomas durante o teste de esforço ou naqueles com estenose aórtica crítica (área de abertura da válvula < 0,5 cm²).

Inicialmente, a TAVI era indicada apenas naqueles pacientes que apresentavam risco proibitivo para realização da cirurgia convencional (de peito aberto). Posteriormente, estudos clínicos comparativos entre o implante por cateter e a cirurgia convencional mostraram equivalência de resultados em pacientes com risco cirúrgico alto, médio ou até mesmo baixo. Ou seja, em praticamente todos os perfis de risco o implante de válvula aórtica por cateter pode ser indicado com segurança e resultados de excelência.

A única questão ainda em aberto é se as válvulas implantadas por cateter apresentam a mesma durabilidade das válvulas implantadas por cirurgia (que tem durabilidade de aproximadamente 10 anos). A avaliação comparativa mais longa entre os dois tipos de válvula mostrou resultados equivalentes até o final de 5 anos de acompanhamento. Por essa razão, as diretrizes médicas recomendam a realização de TAVI em pacientes mais idosos (acima de 65 anos na diretriz americana e 74 anos na diretriz européia). Por outro lado, umas das indicações mais consagradas da TAVI é no tratamento de válvulas cirúrgicas com mal funcionamento (o chamado implante “válvula dentro da válvula”).



O médico cardiologista Dr. Gilberto Lahorgue Nunes analisa outro estudo recente que coloca a aspirina no foco do debate sobre seu uso na prevenção primária de eventos cardiovasculares.

Outra notícia recente e importante foi a publicação (também na revista científica JAMA) de um relatório da Força Tarefa de Serviços de Prevenção dos Estados Unidos (US Preventive Services Task Force – USPSTF) sobre o papel da aspirina na prevenção primária de eventos cardiovasculares, como o infarto do coração e o acidente vascular cerebral (AVC).

Cardiologista Cardiologista Dr. Gilberto Nunes | Porto Alegre aspirina medical composition with pills B

Após uma extensa e criteriosa revisão de todas as evidencias científicas existentes na literatura médica especializada, a recomendação dessa Força Tarefa é de que a aspirina não deve ser prescrita de rotina para pacientes sem eventos cardiovasculares prévios e nem submetidos à cirurgia de ponte de safena ou a angioplastia por cateter com implante de stents, ou seja, como estratégia de prevenção primária.

Nesses pacientes, o efeito positivo da aspirina em reduzir o infarto e o AVC foi praticamente anulado por uma maior ocorrência de sangramentos graves (e por vezes fatais) nessa população. Dessa forma, salvo em situações muito particulares, não existe indicação do uso da aspirina para prevenir um primeiro evento cardiovascular (a chamada prevenção primária). Consequentemente, o hábito de muitas pessoas saudáveis de tomar aspirina regularmente para evitar um infarto, além de não trazer benefícios, pode ser deletério.

Por outro lado, já está bem estabelecido que o uso da aspirina em baixas doses (75 a 100 mg/dia) reduz de maneira expressiva a ocorrência de infarto e AVC naqueles pacientes que já apresentaram estes eventos previamente ou que são portadores de ponte de safena ou stents coronários. Em outras palavras, a aspirina é um medicamento extremamente eficaz na chamada prevenção secundária.


Dr. Gilberto Nunes | Clínica Cardiologista Porto Alegre